Ação no Telegram impede ataque planejado na Avenida Paulista

Policiais do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo desarticularam um plano de ataque na avenida Paulista após quatro dias de monitoramento de conversas em um grupo do Telegram com cerca de oito mil integrantes. A operação ocorreu em 2 de fevereiro, quando a ameaça ganhou contornos mais concretos com a mensagem: “Amanhã é a guerra. Estejam todos preparados!!”.

Segundo os investigadores, o grupo compartilhava tutoriais de fabricação de bombas caseiras e discutia estratégias violentas para agir durante manifestações. A partir da coleta de provas digitais, dez adultos foram presos e dois adolescentes de 15 e 17 anos, moradores de Botucatu (SP), foram apreendidos. A Secretaria da Segurança Pública informou que não há atualização sobre a situação processual dos detidos e orientou que novos detalhes sejam solicitados ao Judiciário paulista.

Não foi identificado um líder formal, mas três usuários atuavam como principais articuladores. Em uma das conversas, um participante afirmou ser ex-militar e ofereceu uma lista de “itens para conflitos em manifestação”. Outra mensagem incentivava ações agressivas: “Rapaziada, só instalar o caos. Se for pacífico, não vai dar em nada”.

A mobilização para o ataque na Avenida Paulista motivou a palavra-chave “ataque na Avenida Paulista” a ser repetida pelos agentes em relatórios internos, reforçando a gravidade da ameaça. Um integrante da equipe de investigação, que pediu anonimato, resumiu o clima dentro do Noad: “Ficou muito claro que estava prestes a acontecer”.

O monitoramento do Telegram também identificou conversas paralelas sobre um possível atentado no Rio de Janeiro. As informações foram repassadas à Polícia Civil fluminense, que realizou uma operação preventiva e evitou um ataque em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

De acordo com a pesquisadora Bruna Camilo, doutora em sociologia e especialista em gênero e misoginia, grupos virtuais com esse perfil costumam ser compostos por “meninos e homens ressentidos” que buscam justificativa para atos violentos. “Essas pessoas se radicalizam em plataformas como Telegram e Discord. É fundamental pensar em políticas públicas de desradicalização”, afirmou.

Os participantes do fórum investigado evitavam rótulos partidários, declarando rejeição a governos de qualquer orientação. Para os agentes, esse discurso apolítico dificulta o rastreamento de motivações ideológicas e reforça a necessidade de vigilância contínua em espaços digitais para impedir novos planos de violência.

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