Alimentação personalizada ajuda a controlar doenças inflamatórias intestinais na fase de crise

Mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com doenças inflamatórias intestinais (DII), a exemplo da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa. Para esse grupo, cada refeição pode desencadear dor abdominal, diarreia, sangramento ou fadiga. Pesquisas recentes, porém, indicam que a nutrição desempenha papel decisivo no manejo dessas enfermidades.

Gastroenterologistas e nutricionistas concordam que não existe uma “dieta única” válida para todos os pacientes. O tratamento nutricional deve ser individualizado e adaptado às duas fases características das DII: fase ativa (ou de crise) e fase de remissão.

Fase ativa: reduzir esforço digestivo

Quando a inflamação intestinal está intensa, o objetivo é poupar o trato digestivo. Nesse período, recomenda-se uma dieta de baixo resíduo, com pouca fibra insolúvel. Entram no cardápio alimentos como batata inglesa sem casca, cenoura cozida, arroz branco, maçã descascada, banana-prata e inhame. A estratégia busca diminuir o volume de fezes, reduzir a formação de gases e aliviar a dor.

Remissão: reconstruir o equilíbrio intestinal

Após o controle das crises, a prioridade muda para restaurar a microbiota e prevenir novos episódios. A reintrodução lenta de aveia, leguminosas (feijão, ervilha), frutas cítricas, sementes de chia e linhaça ajuda a fornecer fibras solúveis que alimentam bactérias benéficas. Segundo especialistas, esse processo deve ser gradual, permitindo ao intestino adaptar-se sem provocar desconforto.

“O paciente com DII precisa ser visto de forma integral. Nas crises, poupamos o intestino; na remissão, diversificamos a microbiota para evitar recaídas”, explica o gastroenterologista Dr. Sérgio Teixeira, diretor médico da Ferring no Brasil.

Alimentos que exigem cautela

A reação a determinados itens varia de pessoa para pessoa, mas a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD) destaca grupos que costumam agravar sintomas:

  • Fibras insolúveis: presentes em cascas de frutas, verduras cruas, grãos integrais e sementes; podem elevar gases e dor durante crises.
  • Lactose: leite e derivados podem piorar quadros de intolerância secundária nas fases de inflamação.
  • Ultraprocessados: produtos ricos em aditivos, gorduras trans e açúcares estão associados ao aumento da inflamação intestinal.
  • Alimentos gasogênicos: feijão, repolho e brócolis tendem a intensificar o inchaço em momentos de atividade da doença.

Teixeira ressalta que escolhas alimentares orientadas por profissionais influenciam diretamente a qualidade de vida dos pacientes: “O que comemos afeta a flora, a mucosa e o grau de inflamação”. Para ele, um acompanhamento conjunto de médico e nutricionista é fundamental para ajustar o plano alimentar a cada fase da doença e garantir bem-estar a longo prazo.

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