Anemia exige diagnóstico preciso; suplementar ferro sem avaliação é arriscado

Médico realizando exame em mulher para diagnóstico de anemia, destacando a importância de avaliação correta antes de suplementar ferro.

A anemia é um dos achados laboratoriais mais comuns em consultas de rotina, mas tratar o problema apenas com ferro pode ocultar doenças relevantes. Especialistas alertam que o baixo nível de hemoglobina funciona como sinal de que algo no corpo está fora de ordem e, por isso, requer investigação antes de qualquer suplementação.

Mecanismos que levam à anemia

Segundo médicos, três processos principais explicam a queda da hemoglobina. O primeiro é a perda de sangue. Hemorragias agudas, cirurgias ou sangramentos crônicos, como os do trato gastrointestinal ou os ginecológicos, podem reduzir lentamente o estoque de ferro e provocar anemia progressiva.

O segundo mecanismo envolve a diminuição da produção de glóbulos vermelhos. Para fabricar hemácias saudáveis, o organismo depende de ferro, vitamina B12, ácido fólico e de uma medula óssea íntegra. Deficiências nutricionais, doenças renais, infecções ou inflamações prolongadas afetam essa etapa.

O terceiro grupo inclui distúrbios na hemoglobina e hemólise, quando as hemácias se rompem antes do tempo previsto. As causas podem ser genéticas, como talassemia menor, ou adquiridas ao longo da vida.

Perigos da suplementação indiscriminada de ferro

Tomar ferro sem diagnóstico aumenta o risco de efeitos como constipação, dor abdominal e náuseas. O excesso do mineral ainda se deposita em órgãos como fígado e coração, criando sobrecarga. Além disso, existem quadros em que o ferro está disponível, porém o organismo não consegue utilizá-lo, situação comum em doenças inflamatórias crônicas; nesses casos, a reposição não traz benefício.

“A suplementação pode dar falsa sensação de melhora e atrasar o reconhecimento da causa real”, observa o clínico geral Alfredo Salim.

Exames orientam o tratamento adequado

A avaliação começa com anamnese detalhada e exames que vão além da contagem de hemoglobina. Ferritina, ferro sérico, vitamina B12, ácido fólico, marcadores inflamatórios e função renal ajudam a definir o mecanismo da anemia. Dependendo do histórico, podem ser solicitados endoscopia, colonoscopia, ultrassonografia ou testes genéticos.

Identificada a origem, a conduta torna-se individualizada: suplementar nutrientes, controlar sangramentos, tratar a doença de base ou apenas acompanhar casos hereditários leves. “Anemia não é diagnóstico, é aviso do corpo”, reforça Salim. A orientação profissional garante que o tratamento seja eficaz e evita atrasos que comprometem a saúde.

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