Anvisa autoriza fase 1 de testes com polilaminina em lesão medular

Imagem ilustrativa de uma coluna vertebral com destaque na lesão na região cervical, relacionada ao teste de polilaminina aprovado pela Anvisa para tratar lesões medulares.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (5), o início da fase 1 do estudo clínico que avalia a polilaminina no tratamento de pessoas com lesão medular. A decisão permite que a solução de laminina 100 µg/mL — diluída para formar a polilaminina — seja aplicada diretamente na área lesionada da medula por via intramedular única.

Segundo o protocolo autorizado, cinco voluntários de 18 a 72 anos, com lesões medulares agudas completas entre as vértebras T2 e T10 ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica, receberão a substância. A etapa será financiada pela farmacêutica Cristália, em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, instituições que contam com cirurgiões já capacitados para o procedimento. Na fase de reabilitação, os pacientes terão acompanhamento da AACD.

Por se tratar de um ensaio de fase 1, o principal objetivo é mapear o perfil de segurança da molécula. “O estudo vai monitorar a frequência e a gravidade de possíveis eventos adversos relacionados ao uso da polilaminina”, informou a Anvisa em nota oficial. A eficácia do tratamento só poderá ser investigada em fases posteriores, caso os resultados de segurança sejam favoráveis.

Os documentos que fundamentam a pesquisa foram enviados à Anvisa no fim de 2022. Desde então, a agência realizou reuniões técnicas e prestou orientações para adequar o projeto aos requisitos regulatórios e científicos necessários à condução dos testes clínicos.

A polilaminina é a versão polimerizada da laminina, proteína presente em diversos tecidos do corpo e essencial para a organização celular. No sistema nervoso, ela participa da divisão e da sobrevivência das células, orienta a migração neuronal, estimula o crescimento dos axônios e contribui para a mielinização. “A laminina orienta o crescimento dos axônios e pode favorecer a recuperação após o trauma”, explicou a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo projeto na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A investigação sobre o uso da proteína em lesão medular ocorre há mais de duas décadas no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Entre 2016 e 2021, dez pacientes receberam injeções de polilaminina até seis dias após o trauma em hospitais do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, em um estudo piloto que também avaliou segurança. O tema ganhou repercussão nacional após uma coletiva de imprensa realizada em setembro de 2025, quando pacientes relataram suas experiências.

Com a autorização da Anvisa, a equipe de pesquisa dará início à seleção dos voluntários e aos procedimentos cirúrgicos. Novos estágios de desenvolvimento dependerão dos dados gerados nesta primeira fase.

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