Apoio ao fim da escala 6×1 sobe para 71%, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha realizada entre 3 e 5 de março indica que 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1, em discussão no Congresso Nacional. O índice supera os 64% registrados em dezembro de 2024, enquanto a rejeição caiu de 33% para 27%. Outros 3% não opinaram.

O instituto entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, dentro de um nível de confiança de 95%.

Embora o debate público mencione a extinção da obrigatoriedade de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso, o governo federal concentra esforços na redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. “A lei tem que estabelecer a redução de jornada sem perda salarial, e dois dias de descanso poderão ser definidos em negociação”, afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

No Congresso, também tramita uma proposta de emenda à Constituição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) que propõe 36 horas semanais. O governo trata a pauta com flexibilidade, mas sem abrir mão do princípio da manutenção de salários.

O levantamento mostra diferenças relevantes entre grupos ocupacionais. Entre os que trabalham até cinco dias por semana, 76% apoiam a mudança; entre quem atua seis ou sete dias, o apoio é de 68%. A presença maior de autônomos e empresários na segunda faixa pode explicar a resistência relativa, pois a extensão da jornada costuma impactar diretamente a renda desse segmento.

Quanto ao tempo diário dedicado ao trabalho, 66% dizem cumprir até oito horas, 28% trabalham de nove a doze horas e 5% ultrapassam esse limite. Apenas 1% não soube responder.

O possível efeito sobre as empresas divide opiniões: 39% preveem impacto positivo e 39% negativo. Em dezembro de 2024, o pessimismo era maior, com 42% avaliando consequências adversas. No campo econômico mais amplo, 50% acreditam que a medida será ótima ou boa para o país, enquanto 24% veem resultado ruim ou péssimo.

A percepção sobre qualidade de vida é majoritariamente favorável. Para 76% dos entrevistados, reduzir a jornada melhorará o bem-estar dos trabalhadores; esse índice sobe para 81% entre quem atua até cinco dias por semana e cai para 77% entre os que trabalham seis ou sete dias.

Quando se considera o tempo disponível para lazer e descanso, 49% dizem ter o suficiente, 43% relatam falta de tempo e 8% consideram ter mais do que o necessário. Entre os que trabalham seis ou sete dias, 59% classificam o tempo de lazer como insuficiente, ante 29% dos que atuam até cinco dias.

O apoio varia conforme preferências políticas: 82% dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva apoiam o fim da escala 6×1, ante 55% dos que votaram em Jair Bolsonaro. Em relação à religião, 69% dos católicos e 67% dos evangélicos são favoráveis. O recorte por idade mostra 83% de adesão entre jovens de 16 a 24 anos e 55% entre pessoas com 60 anos ou mais. Por gênero, 77% das mulheres e 64% dos homens defendem a mudança.

O Datafolha conclui que a proposta de reduzir a jornada ou extinguir a escala 6×1 avança no apoio popular, impulsionada sobretudo por mulheres, jovens e eleitores do atual governo, enquanto a divisão persiste quanto aos impactos econômicos e empresariais.

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