
Associado normalmente à intimidade e ao carinho, o beijo também provoca reações químicas que podem influenciar diretamente o bem-estar emocional. A conclusão é da psicóloga Ligia Kaori Matsumoto, do Hospital Dia MBoi Mirim I, gerenciado pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim. Segundo a especialista, o simples ato de beijar mobiliza neurotransmissores e hormônios ligados ao prazer, ao alívio do estresse e ao fortalecimento dos vínculos afetivos.
Estímulo de áreas cerebrais ligadas ao prazer
Durante um beijo, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor associado à sensação de recompensa. Esse fluxo químico eleva o humor de forma semelhante ao que ocorre ao ouvir música ou realizar atividades prazerosas, explica Matsumoto. A experiência positiva tende a ser registrada pelo cérebro, fazendo com que o gesto seja reconhecido como fonte de conforto emocional.
Redução do estresse e da ansiedade
O contato labial favorece o aumento de serotonina, responsável pela sensação de relaxamento, e, ao mesmo tempo, reduz os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse. “Essas reações atuam como um amortecedor das tensões diárias, podendo atenuar sintomas de ansiedade quando há ambiente de segurança e consentimento”, afirma a psicóloga.
Fortalecimento de vínculos afetivos
A prática também estimula a produção de ocitocina, conhecida como hormônio do amor. Essa substância aumenta a sensação de proximidade, confiança e conexão, elementos fundamentais para manter relacionamentos amorosos, familiares ou de cuidado. De acordo com Matsumoto, a liberação da ocitocina contribui para vínculos mais seguros e estáveis.
Comunicação não verbal eficiente
Mesmo sem palavras, o beijo funciona como linguagem emocional capaz de transmitir carinho, desejo ou acolhimento. Para a especialista, essa forma de comunicação reforça a importância do gesto na dinâmica das relações humanas, pois permite expressar sentimentos que nem sempre são verbalizados.
Influência cultural no significado do beijo
O sentido atribuído ao beijo varia conforme a cultura e o contexto social. No Brasil, por exemplo, o beijo na testa costuma indicar proteção, o beijo no rosto é usado como cumprimento ou sinal de amizade, enquanto o beijo na boca está mais relacionado à intimidade e ao desejo. As diferenças culturais mostram que o comportamento é também socialmente construído.
Por fim, Matsumoto ressalta que os benefícios emocionais do beijo dependem de respeito e consentimento. Quando compartilhado de forma espontânea e dentro dos limites de cada pessoa, o gesto pode melhorar o humor, reduzir o estresse e reforçar vínculos, contribuindo para o equilíbrio emocional cotidiano.

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