Brasil e cinco países condenam ofensiva militar dos EUA na Venezuela

Imagem de protesto com fogo e aeronaves, representando condenação da ofensiva militar dos EUA na Venezuela por países como Brasil e outros cinco na América do Sul.

Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram neste domingo (4) um comunicado conjunto em que repudiam a operação militar realizada pelos Estados Unidos em território venezuelano no dia anterior. O texto manifesta “profunda preocupação” com a ofensiva e lembra que o uso ou a ameaça de força contrariam os princípios da Carta das Nações Unidas, documento que rege as relações internacionais desde 1945.

De acordo com os seis governos, a ação conduzida pela administração do presidente norte-americano Donald Trump representa um “precedente perigoso” para a estabilidade da América Latina e coloca a população civil em risco imediato. O grupo afirma manter compromisso com a resolução pacífica de controvérsias e defende que a crise política venezuelana deve ser solucionada por meio de diálogo interno, sem interferência externa.

“Somente um processo político inclusivo, liderado pelos próprios venezuelanos, poderá resultar em saída democrática e duradoura”, assinala a nota. O documento também reafirma o caráter da América Latina e do Caribe como “zona de paz” e conclama os países da região a superarem divergências políticas diante de qualquer medida que ameace a segurança coletiva.

No mesmo texto, os signatários solicitam ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a organismos multilaterais que adotem iniciativas para diminuir as tensões e preservar a paz. Os governos ainda rechaçam qualquer tentativa de controle externo sobre recursos naturais ou estratégicos da Venezuela.

Explosões e captura de Maduro

Na madrugada de sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros de Caracas. Durante a operação, forças de elite norte-americanas prenderam o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. A Casa Branca acusa Maduro de comandar um suposto esquema de narcotráfico, argumento usado para justificar a intervenção. Washington oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à detenção do líder venezuelano.

A ofensiva marcou a primeira intervenção militar direta dos Estados Unidos em um país latino-americano desde 1989, quando tropas norte-americanas invadiram o Panamá e capturaram o então presidente Manuel Noriega. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do chamado “Cartel de los Soles”, citado por autoridades dos EUA como base das acusações contra Maduro.

Temor de escalada regional

Ao classificar a ofensiva militar dos EUA como violação da soberania da Venezuela, os seis países consideram que a iniciativa pode estimular ações semelhantes em outras partes da região. “A adoção de medidas unilaterais dessa natureza ameaça a paz e a segurança regionais”, alertam os signatários.

Analistas apontam que a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo, fator que aumenta o interesse geopolítico norte-americano. Críticos da operação veem o episódio como tentativa de afastar Caracas de parceiros como China e Rússia, além de garantir acesso a recursos energéticos estratégicos.

O comunicado termina com um apelo para que todos os Estados preservem o direito internacional e busquem soluções diplomáticas. Os governos reiteram que seguirão acompanhando os desdobramentos e colaborarão com iniciativas que promovam o diálogo e a reconciliação interna na Venezuela.

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