
O Ministério das Relações Exteriores do Catar manifestou preocupação com a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na detenção do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Em comunicado divulgado neste sábado (3), o governo catariano pediu “moderação e diálogo como meio adequado para resolver todas as questões pendentes”.
O documento ressalta o compromisso do emirado com a Carta das Nações Unidas e com os princípios do direito internacional, que preveem a solução pacífica de controvérsias. “O Catar está disposto a cooperar com qualquer esforço internacional destinado a alcançar uma solução imediata e pacífica, mantendo abertos os canais de comunicação com todas as partes envolvidas”, afirma a nota.
Catar e Estados Unidos mantêm relação estreita em segurança e energia. Doha sediou recentemente negociações que buscaram um cessar-fogo na Faixa de Gaza entre Israel e Hamas, com participação de diplomatas norte-americanos. Ainda assim, o governo do Golfo reforçou a necessidade de “respeitar a soberania venezuelana” e evitar uma escalada regional.
Logo após o ataque, o presidente norte-americano Donald Trump acusou o governo Maduro de envolvimento com narcotráfico, sem apresentar provas públicas. Trump também declarou que o setor petrolífero venezuelano — detentor das maiores reservas conhecidas de petróleo — será administrado por empresas dos EUA, advertindo que poderá lançar uma nova onda de bombardeios caso haja resistência ao controle estrangeiro.
Localizado no Oriente Médio, o Catar tem economia fortemente baseada na produção de petróleo e gás natural. A posição do país reflete preocupação com possíveis impactos no mercado energético internacional e coloca Doha como potencial mediador entre Washington e Caracas.
Em mensagem final, o Ministério das Relações Exteriores catariano reiterou que continuará monitorando a situação e “trabalhando com parceiros regionais e internacionais para evitar mais confrontos”.

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