Cirurgia neurológica após os 60: quando indicar e quando evitar

O aumento da expectativa de vida tem levado um número crescente de brasileiros com mais de 60 anos aos consultórios de neurocirurgia em busca de alívio para dores incapacitantes na coluna, tumores cerebrais, hematomas ou distúrbios de marcha. A dúvida que se repete é se a cirurgia neurológica em idosos representa a melhor opção ou se o tratamento conservador ainda é o caminho mais seguro.

Especialistas reforçam que a idade, isoladamente, deixou de ser critério absoluto na decisão. “A idade cronológica é apenas um número; o que realmente pesa é a condição clínica e funcional do paciente”, afirma o neurocirurgião Prof. Dr. Baltazar Leão. Controle de doenças crônicas, autonomia para atividades diárias, cognição preservada e suporte familiar formam o conjunto de fatores mais relevantes na avaliação pré-operatória.

Avanços que mudaram o cenário cirúrgico

Nas últimas décadas, a neurocirurgia passou por transformações importantes. Técnicas minimamente invasivas e procedimentos endoscópicos reduziram tempo de operação, perda de sangue e período de internação, tornando intervenções mais toleráveis para pacientes acima dos 70 ou 80 anos. Paralelamente, exames de imagem de alta resolução permitem diagnósticos mais precisos e planejamento detalhado, diminuindo riscos intraoperatórios.

Condições como estenose do canal vertebral, hematoma subdural crônico ou tumores benignos apresentam, hoje, taxas de sucesso que se traduzem em ganho de mobilidade, alívio de dor e maior independência. “Quando o quadro causa déficit neurológico progressivo ou ameaça a vida, a cirurgia pode oferecer melhora real de qualidade de vida”, destaca Leão.

Critérios para operar e para evitar

A indicação cirúrgica é considerada adequada quando a doença compromete seriamente a qualidade de vida, provoca dor refratária aos medicamentos, gera déficits neurológicos em evolução ou coloca o paciente em risco iminente. Por outro lado, quadros estáveis, assintomáticos ou com probabilidade elevada de complicações podem ser tratados clinicamente, com acompanhamento rigoroso.

A decisão final envolve diálogo transparente entre equipe médica, paciente e familiares. A proposta inclui exposição clara de riscos, benefícios e alternativas, sem pressa ou base apenas no receio do procedimento. Em determinados casos, adiar ou evitar a cirurgia resulta em perda funcional crescente; em outros, poupa o paciente de um risco que superaria o benefício.

Com análise individualizada, recursos tecnológicos atuais e equipes experientes, a cirurgia neurológica em idosos deixa de ser exceção para tornar-se opção segura e efetiva, sempre que os critérios clínicos – e não apenas a idade – apontam para o melhor desfecho possível.

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