Coceira crônica nas pernas pode indicar risco de doença venosa

Uma coceira nas pernas que não passa com cremes ou compressas frias pode ser mais do que um simples incômodo. De acordo com médicos entrevistados pelo portal Only My Health, o sintoma figura entre os primeiros alertas de distúrbios circulatórios, principalmente quando se torna recorrente.

O clínico geral Tushar Tayal explica que a irritação surge quando o sangue encontra dificuldade para retornar ao coração. “O retorno venoso inadequado faz o líquido sanguíneo extravasar para os tecidos próximos, ressecando e inflamando a pele antes mesmo de qualquer alteração visível na veia”, afirma o especialista.

Nessas circunstâncias, o quadro pode evoluir para insuficiência venosa crônica — causa mais comum da coceira persistente — ou estar associado a varizes e trombose venosa profunda. Todas essas condições aumentam a pressão dentro das veias das pernas, prejudicam a oxigenação cutânea e favorecem vermelhidão, descamação e prurido constantes.

A orientação é buscar avaliação médica caso a coceira venha acompanhada de inchaço progressivo, dor, escurecimento da pele ou veias mais salientes. Segundo Tayal, varizes costumam provocar a sensação principalmente na região dos tornozelos e na parte inferior das pernas.

Dados da rede de saúde CUF lembram que varizes são veias dilatadas e tortuosas localizadas logo abaixo da pele, facilmente identificáveis, e não devem ser confundidas com vasos finos de menor calibre, popularmente chamados de “derrames”.

Hábitos que protegem a circulação

Embora haja influência da genética e do envelhecimento, mudanças simples ajudam a preservar o fluxo sanguíneo e a evitar o surgimento de doença venosa. A cirurgiã vascular Sheila Blumberg destaca a importância da atividade física regular. “Caminhada, natação ou ioga ativam a musculatura da panturrilha, que funciona como uma bomba natural, impulsionando o sangue de volta ao coração”, resume.

Outras medidas recomendadas incluem:

  • Elevar as pernas por alguns minutos ao longo do dia para diminuir a pressão venosa;
  • Usar meias de compressão prescritas por profissional de saúde;
  • Manter hidratação adequada para preservar a elasticidade da pele;
  • Evitar longos períodos em pé ou sentado sem movimentar as pernas.

A adoção dessas práticas não substitui o acompanhamento médico, mas reduz a probabilidade de agravamento dos sintomas e contribui para o alívio da coceira crônica nas pernas. Frente a qualquer sinal de piora, o encaminhamento a um angiologista ou cirurgião vascular é considerado o passo mais seguro.

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