Correios lança PDV para cortar 15 mil funcionários até 2027

Filas de clientes na nova unidade dos Correios com redução de pontos de atendimento, alinhada ao corte de 15 mil empregos até 2027.

Os Correios preveem reduzir em cerca de 19% seu quadro de pessoal por meio de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que poderá receber a adesão de até 15 mil empregados até 2027, conforme documento interno obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O PDV integra o plano de reestruturação aprovado pelo conselho de administração da estatal em 19 de novembro. A iniciativa busca equilibrar as contas após prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024 e um rombo acumulado de R$ 7,5 bilhões desde 2023. Ao todo, os Correios empregam aproximadamente 80 mil pessoas.

A companhia estima economizar cerca de R$ 1,5 bilhão por ano com a redução de despesas. A primeira etapa envolve mapear setores e regiões com desempenho considerado insatisfatório; os trabalhadores identificados nessas áreas poderão aderir voluntariamente ao PDV, segundo informou a direção da empresa.

Além das demissões voluntárias, o pacote de medidas inclui revisão da estrutura organizacional, implantação de um novo Plano de Cargos e Salários até dezembro de 2026 e remodelagem dos custos do plano de saúde. A venda de imóveis ociosos também está prevista, com o objetivo de gerar caixa e cortar gastos de manutenção.

Os Correios pretendem ainda renegociar contratos com seus principais fornecedores para obter condições mais vantajosas. De acordo com a estatal, a prioridade é manter a segurança jurídica das operações enquanto busca reduzir custos.

Para reforçar a liquidez no curto prazo, a empresa planeja captar até R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos. O acordo deveria ter sido firmado até o fim de novembro, mas foi barrado pelo Tesouro Nacional porque a taxa de juros proposta superava o limite para operações com garantia da União. Em documento interno, a estatal considera o aporte “indispensável para a transição estrutural projetada para a empresa”.

Os relatórios corporativos atribuem a crise à perda de competitividade no mercado logístico, ao aumento de despesas, a derrotas judiciais e a falhas de gestão. Com o PDV, a revisão de contratos e a venda de ativos, a diretoria espera criar condições para a recuperação financeira e operacional até 2027.

Em nota enviada aos funcionários, a administração reforçou que “a adesão ao Programa de Demissão Voluntária é facultativa” e que o pacote de reestruturação busca “garantir a sustentabilidade da estatal no longo prazo”.

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