Dieta do tipo sanguíneo promete perda de peso, mas ciência duvida

Popularizada nos anos 1990, a dieta do tipo sanguíneo voltou a ganhar espaço em redes sociais e consultórios alternativos. O método foi apresentado no livro “A Dieta do Tipo Sanguíneo”, que defende a adaptação de alimentos e rotinas de exercício de acordo com os grupos A, B, AB e O.

Segundo a proposta, cada tipo sanguíneo teria ligação direta com hábitos alimentares de ancestrais distantes. O grupo O, por exemplo, seria descendente de caçadores-coletores e, portanto, se beneficiaria de refeições ricas em proteínas animais. Já o grupo A, associado a antigos agricultores, deveria priorizar vegetais e grãos. Para os defensores do plano, alinhar o cardápio a essa herança biológica ajudaria na perda de peso, melhoraria a digestão e reduziria inflamações.

Embora a teoria prometa vantagens metabólicas, estudos de revisão publicados nas últimas décadas não encontraram evidências sólidas que confirmem os resultados anunciados. Pesquisas comparativas revelam que a redução de calorias ou a escolha de alimentos menos processados costuma explicar eventuais melhorias relatadas por seguidores, independentemente do tipo de sangue.

O princípio genético também é alvo de questionamentos. Especialistas em imunologia destacam que o sistema ABO influencia principalmente a compatibilidade de transfusões e a resposta a algumas infecções, mas não controla de forma direta a forma como o organismo utiliza proteínas, gorduras ou carboidratos.

Na ausência de provas conclusivas, instituições de nutrição recomendam cautela. “Nenhuma diretriz internacional adota restrições baseadas em grupo sanguíneo”, lembra a maioria dos guias clínicos consultados. Para quem busca emagrecer, a orientação ainda recai sobre planos alimentares equilibrados, atividade física regular e acompanhamento profissional individualizado.

Até que novos dados científicos sejam apresentados, a palavra-chave continua a mesma: evidência. Sem ela, a popular dieta do tipo sanguíneo permanece classificada pela comunidade acadêmica como hipótese não comprovada.

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