
No segundo dia útil do ano, 5 de janeiro, os Estados Unidos negaram diante do Conselho de Segurança da ONU que a operação realizada em 3 de janeiro, em Caracas, represente guerra ou ocupação da Venezuela. O embaixador norte-americano na Organização das Nações Unidas, Michael Waltz, descreveu a incursão que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como “estritamente jurídica e não militar”.
Segundo Waltz, as tropas norte-americanas atuaram para cumprir mandados emitidos há anos pela Justiça dos EUA, que acusa Maduro de chefiar uma rede de tráfico internacional de drogas e armas conhecida em Washington como “Cartel de los Soles”. “Não há guerra contra a Venezuela nem contra seu povo. Foi uma operação de aplicação da lei”, afirmou o diplomata.
O militar também apresentou a ação como parte do combate ao narcotráfico que, na avaliação de Washington, prejudica a população norte-americana há 15 anos. Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, figuram na lista de fugitivos dos Estados Unidos desde 2020.
Organizações independentes, entre elas a International Crisis Group, contestam a existência do cartel citado e veem na acusação um meio de intervenção política norte-americana no país sul-americano. Waltz rebateu dizendo que “provas esmagadoras” serão apresentadas em tribunal aberto.
Diante dos 15 membros do Conselho de Segurança, o representante dos EUA comparou a captura de Maduro à de Manuel Noriega, no Panamá, em 1989, quando o ex-líder panamenho foi levado a julgamento em território norte-americano. Waltz também reiterou que mais de 50 governos não reconhecem o resultado das eleições venezuelanas de 2024, consideradas fraudulentas por um painel de especialistas da própria ONU.
Para o embaixador, permitir que Maduro ocupe espaço na ONU equivaleria a legitimar um “narcoterrorista”. Ele ainda acusou Caracas de abrigar atores hostis a Washington, como Irã, Hezbollah e agentes de inteligência cubanos. “Este é o Hemisfério Ocidental, onde vivemos, e não será usado como base de operações por adversários dos Estados Unidos”, disse.
Waltz acrescentou que as vastas reservas de energia venezuelanas não podem permanecer sob direção de “líderes ilegítimos” que, na visão de Washington, enriquecem uma elite local à custa da população. Não foram anunciados detalhes sobre a situação de Maduro após a operação, nem sobre possíveis desdobramentos diplomáticos no Conselho de Segurança.

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