
Usuários de lentes de contato enfrentam risco elevado de desenvolver ceratite acanthamoeba, infecção ocular rara provocada por uma ameba microscópica que se aloja na córnea. O problema, segundo especialistas, pode causar vermelhidão, dor intensa, visão embaçada, fotofobia e, nos casos mais graves, perda permanente da visão.
A Associação Americana de Optometria registra mais de 23 mil ocorrências da doença a cada ano em 20 países monitorados, entre eles Brasil, Canadá, Reino Unido, Índia e Estados Unidos. “Os números podem estar subestimados, pois muitos episódios não chegam a ser corretamente diagnosticados”, alerta a entidade.
A infecção costuma estar ligada à higienização inadequada das lentes. Manusear as lentes com as mãos sujas, dormir com o acessório ou armazená-lo em solução contaminada cria condições ideais para a proliferação da ameba. Em ambientes úmidos, como banheiros e piscinas, o micro-organismo também encontra terreno favorável.
O diagnóstico de ceratite acanthamoeba é complexo porque os sintomas se confundem com os de outras doenças da córnea. Exames laboratoriais específicos costumam confirmar a presença do parasita, mas o processo pode atrasar o início do tratamento. Quando o problema é identificado, o paciente precisa utilizar colírios antissépticos por vários meses, com acompanhamento frequente do oftalmologista.
Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores as chances de preservar a visão. Casos detectados tardiamente podem evoluir para cicatrizes corneanas permanentes e exigir transplante de córnea. “A prevenção ainda é a medida mais eficaz”, reforça um dos especialistas ouvidos.
Para reduzir o risco de ceratite acanthamoeba, os oftalmologistas recomendam lavar bem as mãos antes de manusear as lentes, usar soluções apropriadas para limpeza, renovar o estojo regularmente, evitar dormir com as lentes e retirá-las antes de nadar ou tomar banho. Qualquer sinal de irritação ocular deve ser investigado imediatamente.

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