Estudo liga jejum intermitente a maior risco de doença cardíaca

Um novo levantamento da American Heart Association (AHA) associa o jejum intermitente a um aumento significativo de mortalidade por doenças cardiovasculares. Os dados foram apresentados em 18 de março de 2024 e analisam informações de aproximadamente 20 mil adultos nos Estados Unidos, com idade média de 49 anos.

Segundo o estudo, participantes que restringiram a alimentação a uma janela de oito horas diárias tiveram 91% mais probabilidade de morrer por causas ligadas ao coração quando comparados a quem se alimentava durante 12 a 16 horas. O trabalho também identificou que pessoas já diagnosticadas com doença cardiovascular e adeptas do método apresentaram risco 66% maior de morte por infarto ou derrame.

Os pesquisadores usaram registros dietéticos autorrelatados para estimar hábitos alimentares e acompanhar os voluntários ao longo do tempo. Embora a metodologia não considere outros fatores de estilo de vida que podem influenciar a saúde, a associação observada levantou preocupação entre especialistas. “Os resultados sugerem cuidado antes de adotar rotinas de restrição severa de horários”, afirmou, em nota, um dos autores do relatório.

Entre os entrevistados com diagnóstico de câncer, o quadro foi diferente: aqueles que comeram por pelo menos 16 horas mostraram menor probabilidade de morte relacionada à doença. Ainda assim, o jejum intermitente não apresentou redução no risco geral de mortalidade por todas as causas e não foi ligado ao aumento da expectativa de vida.

A AHA destaca que o método se popularizou nas redes sociais e entre celebridades graças à promessa de perda de peso rápida. Contudo, a entidade aconselha avaliação médica individualizada antes de qualquer mudança drástica na rotina alimentar. “É fundamental considerar fatores como condições pré-existentes e acompanhamento profissional”, pontuou outro pesquisador.

Apesar do tamanho da amostra, o estudo reconhece limitações: baseia-se em relatos dos próprios participantes, não monitora qualidade da dieta nem níveis de atividade física e não investiga padrões específicos de jejum, como dias alternados ou restrição calórica periódica. Novas pesquisas, segundo a AHA, são necessárias para esclarecer o mecanismo biológico que ligaria períodos prolongados sem comida ao maior risco cardíaco.

Enquanto isso, profissionais de saúde recomendam cautela com dietas que eliminam ou concentram refeições em janelas muito curtas. A escolha de um plano alimentar equilibrado, aliado a exercícios regulares e acompanhamento médico, permanece a orientação de consenso para quem busca reduzir peso e proteger o coração.

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