
O clareamento dental é um dos tratamentos estéticos mais solicitados nos consultórios, mas seu resultado final depende de fatores biológicos e técnicos que nem sempre podem ser ultrapassados. O cirurgião-dentista Gustavo Crepaldi detalha as principais barreiras que impedem o dente de atingir tons cada vez mais claros.
Como o procedimento clareia os dentes
O método utiliza peróxidos que penetram no esmalte e na dentina, quebrando moléculas de pigmento. A reação química clareia a estrutura interna do dente, sem “pintar” a superfície. Contudo, essa ação acontece apenas em tecido dental natural.
Limites biológicos
Cada pessoa possui uma cor base genética que estabelece o chamado “teto biológico” do clareamento. Após determinado ponto, aumentar a concentração do gel ou prolongar o tempo de aplicação não produz ganho estético e pode causar sensibilidade intensa ou dano pulpar.
Materiais que não clareiam
Resinas, coroas, facetas e demais próteses odontológicas não reagem ao agente químico. Se o paciente tem restaurações visíveis, será necessário substituí-las após o clareamento para harmonizar o sorriso. Caso contrário, as áreas restauradas permanecem mais escuras que o esmalte clareado.
Manchas intrínsecas resistentes
Alterações causadas por antibióticos como a tetraciclina ou pela fluorose dentária apresentam alta resistência. Nessas situações, o clareamento suaviza a tonalidade, mas dificilmente elimina totalmente as manchas, exigindo alternativas como lentes de contato cerâmicas.
Sensibilidade e condições clínicas
Raiz exposta, trincas no esmalte e hipersensibilidade pré-existente podem contraindicar protocolos convencionais. “A saúde do paciente sempre vem antes do resultado estético; há casos em que precisamos reduzir a concentração do produto ou adiar o procedimento”, explica Crepaldi.
Papel dos hábitos cotidianos
Café, vinho tinto e tabaco voltam a pigmentar a superfície dentária com o tempo. Sem higiene adequada e controle de hábitos, o clareamento perde efeito de forma acelerada. O dentista recomenda sessões de manutenção periódicas e disciplina alimentar para prolongar a cor alcançada.
Quando o clareamento não resolve
Se o objetivo envolve corrigir tamanho, forma ou fechamento de espaços, o clareamento atinge seu limite e opções reabilitadoras em cerâmica tornam-se mais indicadas. “Nem todo caso se beneficia apenas de cor mais clara; muitas vezes a harmonia depende de intervenções adicionais”, afirma o especialista.
Compreender esses limites ajuda o paciente a alinhar expectativas e escolher o melhor plano de tratamento. O diagnóstico clínico individual continua sendo a principal ferramenta para definir se o clareamento dental é suficiente ou se outras abordagens são necessárias.
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