Brasil tem menor nível de matrículas no ensino médio em década

Sala de aula com estudantes do ensino médio e professor em quadro branco, ilustrando a crise de matrículas no Brasil na última década

O Censo Escolar divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) em 26 de fevereiro de 2026 apontou queda de 5,3% no total de matrículas no ensino médio entre 2024 e 2025, atingindo o patamar mais baixo dos últimos dez anos. A redução foi concentrada na rede pública, enquanto as escolas privadas registraram leve alta de 0,6% no mesmo intervalo.

Segundo o levantamento, 7,3 milhões de estudantes frequentavam o ensino médio em 2025. Desse total, 425 mil deixaram a rede pública em relação a 2024; 259 mil deles estavam no estado de São Paulo, responsável por 60% da retração. Apesar de ser a unidade federativa com maior população, São Paulo concentra cerca de 20% dos alunos dessa etapa em todo o país.

O ministro da Educação, Camilo Santana, associou a diminuição a dois fatores: “A população jovem encolheu e o fluxo escolar melhorou, reduzindo retenções”. De acordo com o MEC, a distorção idade-série no 3.º ano recuou 61%, e o índice geral caiu de 27,2% em 2021 para 14% em 2025, indicando que menos alunos estão fora da série adequada à idade.

Fábio Bravin, da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep, vê efeito direto dessa mudança: “Quando o estudante repete de ano, o sistema incha; a queda na repetência diminui o número absoluto de matrículas”.

Embora 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estivessem na escola em 2024, o percentual era de 72% entre os 20% mais pobres. Os dados de evasão relativos a 2025 ainda não foram divulgados. Para enfrentar o abandono, o governo lançou em 2024 o programa Pé de Meia, que destina R$ 12 bilhões a bolsas de permanência para alunos do ensino médio, mas ainda não há indicadores de impacto.

A dinâmica demográfica também pesa sobre as estatísticas. A população de zero a 19 anos vem diminuindo rapidamente, o que afeta tanto a oferta de mão de obra futura quanto a demanda por serviços públicos em saúde e previdência.

No conjunto da educação básica, o Brasil contabiliza 46.018.380 estudantes, um milhão a menos que em 2024. Desses, 9 milhões estão na rede privada e o restante, na rede pública.

Ensino integral avança

Contrapondo-se à queda nas matrículas regulares, o número de alunos em tempo integral na rede pública aumentou 11% entre 2024 e 2025, alcançando 8,8 milhões — 19% do total. Desde 2020, quando havia 4,7 milhões nessa modalidade, o crescimento é contínuo. O MEC destinou recursos para que estados e municípios criem 3,6 milhões de vagas adicionais até 2026; porém, secretarias estaduais relatam menor repasse neste ano, o que pode obrigá-las a financiar a expansão com recursos próprios.

As informações do Censo Escolar são repassadas ao MEC pelas secretarias de educação e podem refletir mudanças em políticas regionais ou diferenças de cadastro. A metodologia considera alunos com baixa frequência como matriculados, o que pode gerar variações nos números finais.

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