
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, estimou que o reajuste do salário mínimo combinado à nova faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais colocará cerca de R$ 110 bilhões em circulação na economia brasileira em 2026.
A projeção foi divulgada nesta quarta-feira (7) durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, transmitido pelo CanalGov. Segundo Marinho, a soma do aumento de renda dos trabalhadores formais com a redução da carga tributária tende a ampliar o consumo doméstico e sustentar a atividade econômica no próximo ano.
A nova tabela do Imposto de Renda passou a valer em 1.º de janeiro de 2026. Ela zera a cobrança para contribuintes com rendimento mensal de até R$ 5.000 e diminui as alíquotas para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. Para rendas superiores, permanecem as faixas progressivas de 7,5% a 27,5%. O Ministério da Fazenda calcula uma redução de até R$ 312,89 no imposto devido por mês nessa faixa intermediária.
Já o salário mínimo subiu para R$ 1.621 em 1.º de janeiro, reajuste de 6,79% sobre o valor anterior. O acréscimo alcança diretamente cerca de 54 milhões de pessoas que recebem o piso ou benefícios atrelados a ele, segundo dados oficiais. “Quanto maior a base salarial e menor a tributação, maior a capacidade de consumo”, afirmou Marinho.
O ministro também voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, prioridade anunciada pelo governo para 2026. A intenção é reduzir inicialmente a jornada de 44 para 40 horas semanais, com possibilidade de nova queda gradual até 36 horas. “Vejo espaço para que o Congresso discuta e aprove a mudança mesmo em ano eleitoral”, disse. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à proposta em declarações recentes.

Marinho argumentou que a combinação de jornada menor, renda ampliada e isenção do IR cria um ambiente favorável ao crescimento sustentável. “Os recursos ficarão nas mãos do trabalhador e voltarão para o mercado”, resumiu o titular do Trabalho.
Apesar do impacto fiscal, o governo sustenta que a medida é compensada por maior arrecadação indireta e dinamismo econômico. A equipe econômica não divulgou estudos detalhados sobre a composição dos R$ 110 bilhões projetados, mas ressalta que a cifra considera tanto o ganho salarial quanto a renúncia tributária aprovada pelo Congresso e sancionada em 26 de novembro.

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