
A partir desta quinta-feira, 1º de janeiro, entram em vigor duas mudanças que alteram diretamente a renda disponível de trabalhadores e aposentados: a elevação do salário mínimo nacional e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
O novo salário mínimo foi reajustado em 6,79%, passando de R$ 1.518 para R$ 1.621. O índice deriva do acumulado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) até novembro, garantindo ligeiro ganho real acima da inflação, ainda que limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
Paralelamente, a reforma tributária sancionada em novembro elevou a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Antes, o teto era de dois salários mínimos, o equivalente a R$ 3.036. O Ministério da Fazenda estima que a mudança retire cerca de 15 milhões de contribuintes da base de cobrança.
Os efeitos aparecerão já no contracheque de janeiro, pago no fim do mês ou no início de fevereiro. De acordo com cálculos da Receita Federal, o alívio poderá gerar uma economia média de R$ 4 mil por ano para cada beneficiado. “É um reforço importante no orçamento das famílias em um cenário de recuperação econômica”, afirmou uma fonte da Receita.
Para compensar a renúncia de receita, foi criada uma alíquota maior para os rendimentos mais altos. Contribuintes com salários mensais acima de R$ 50 mil pagarão mais imposto. Segundo estimativas oficiais, o ajuste alcança aproximadamente 141 mil pessoas.
A legislação também instituiu descontos progressivos para salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. O mecanismo, desenhado para evitar o chamado “degrau tributário”, reduz gradualmente o abatimento conforme a renda sobe, de modo que pequenos reajustes salariais não resultem em saltos bruscos de tributação. O valor exato do desconto varia caso a caso, pois depende de deduções individuais, contribuição previdenciária e outras fontes de rendimento.
No calendário do contribuinte, as novas regras não alteram a declaração de Imposto de Renda de 2026, referente ao ano-base 2025. O impacto prático só será percebido na prestação de contas a ser entregue em 2027.
Com a combinação de salário mínimo maior e isenção ampliada, o governo pretende estimular o consumo interno sem comprometer o ajuste fiscal. O desfecho, entretanto, dependerá da trajetória da inflação e da arrecadação ao longo do ano.

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