Planners de papel ganham espaço com fadiga digital entre jovens

Jovem usando planner de papel para organizar suas tarefas, ilustrando o crescimento do uso de planners tradicionais entre os jovens devido à fadiga digital.

A proximidade do fim do ano tem impulsionado a procura por planners de papel, impulsionada, sobretudo, por jovens que buscam reduzir o tempo diante de telas. Lojas especializadas e livrarias registram aumento expressivo nas vendas desses produtos entre outubro e janeiro, período em que muitas pessoas definem metas e reorganizam a rotina para o ano seguinte.

Na Shop Figlia, criada pela publicitária Marina Mie Murakoshi, 23, o lançamento mais recente esgotou, em 12 minutos, quase metade do volume comercializado em todo o ano anterior; em uma hora, o total já igualava o resultado completo do lançamento passado. Para a fundadora, o planner físico atende à demanda por uma ferramenta de planejamento que também funcione como “espaço de pausa” na agenda acelerada do público jovem.

A tendência se repete em outras papelarias. Na Organizando a Vida, o faturamento cresce de 30% a 60% entre dezembro e janeiro, segundo a proprietária Deise Santos, 28. A alta começa ainda na segunda quinzena de outubro e mantém-se até o início do ano seguinte. Já a Paperview, especializada no segmento, também observa picos significativos no quarto trimestre, destacando a busca por produtos de auto-organização.

Para Angela Bufarah, 55, fundadora da Paperview, as plataformas digitais não eliminam o interesse pelo papel. “Aplicativos são ótimos para lembretes, mas o planner em papel é o espaço da escrita à mão e da reflexão”, afirma.

O movimento alcança também as livrarias. Dados da Associação Nacional de Livrarias, apresentados pelo presidente Alexandre Martins Fontes, mostram que as vendas de agendas, calendários e planners físicos ficam três vezes maiores em outubro, cinco vezes em novembro e dez vezes em dezembro quando comparadas à média mensal de janeiro a setembro. A rede Martins Fontes, que investe em papelaria há cinco anos, planeja ampliar a oferta de itens analógicos diante da demanda consistente.

Entre os consumidores, a migração para o papel surge como forma de recuperar criatividade e controlar melhor as tarefas. A publicitária Gabriela Brito, 27, abandonou plataformas como Notion e Trello após três anos de uso. “Percebi que estava perdendo o hábito de escrever à mão”, relata. A engenheira civil Caroline de Jesus Rodrigues, 24, confirma a sensação de concretude: “Dá um sentimento de profissionalismo anotar metas e depois marcar o que foi concluído”.

Os preços dos planners consultados pela reportagem variam de R$ 96 a R$ 329, de acordo com formato, divisões internas, possibilidades de personalização e material para decoração. Mesmo com valores considerados elevados por parte do público, consumidores como a estudante de direito Mayara Gisele Simões Araújo, 22, enxergam o gasto como investimento na organização pessoal.

A procura crescente indica que, apesar da consolidação de agendas digitais, o hábito de escrever no papel mantém relevância cultural e funcional, principalmente para quem busca diminuir o tempo de exposição a telas e adotar rotinas de bem-estar.

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