Portugal aprova restrições rigorosas ao acesso de crianças e adolescentes a redes sociais

Nova legislação visa proteger a saúde mental de menores e estabelece limites de idade e mecanismos de verificação obrigatórios para as plataformas.

Jovem usando smartphone com ícone de bloqueio na tela, em ambiente doméstico com bandeira de Portugal ao fundo, representando restrições ao acesso de crianças e adolescentes às redes sociais.

O Parlamento de Portugal aprovou um novo pacote legislativo que impõe restrições severas ao acesso de menores de idade às redes sociais. A medida, que coloca o país na vanguarda das discussões sobre segurança digital na Europa, estabelece que as plataformas devem implementar sistemas eficazes de verificação de idade e obter consentimento parental explícito para utilizadores abaixo do limite estabelecido.

A decisão foi motivada pelo crescente número de relatórios que ligam o uso excessivo de redes sociais a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e distúrbios do sono em jovens. Com a nova lei, o governo português pretende criar um ambiente digital mais seguro e reduzir a exposição precoce a conteúdos inadequados.

Principais pontos da nova legislação

A lei foca-se na responsabilidade das empresas tecnológicas e no papel dos tutores legais. Entre as principais mudanças, destacam-se:

  • Idade Mínima: Definição de uma idade mínima (geralmente 14 ou 16 anos, dependendo da plataforma e do contexto) para o uso sem supervisão;

  • Verificação de Identidade: Obrigatoriedade de as redes sociais utilizarem métodos de verificação mais robustos, indo além do simples “clique para confirmar”;

  • Bloqueio de Algoritmos Aditivos: Limitação de algoritmos que incentivam o uso compulsivo por parte de menores durante o horário escolar e no período noturno;

  • Privacidade por Definição: Contas de menores de 18 anos devem ser privadas por defeito.

Multas e Fiscalização 

As empresas de tecnologia que não cumprirem as novas diretrizes estarão sujeitas a multas pesadas, que podem chegar a uma percentagem do seu faturação global anual. A fiscalização ficará a cargo das entidades reguladoras de comunicações e proteção de dados em Portugal.

Debate sobre liberdade e proteção 

A aprovação da lei gerou debates intensos entre associações de defesa da criança e grupos que defendem a liberdade individual. Enquanto especialistas em psicologia infantil celebram a medida como “um passo necessário para proteger o desenvolvimento cognitivo”, críticos argumentam que a implementação técnica pode ferir a privacidade dos utilizadores adultos e ser difícil de aplicar na prática.

A medida segue uma tendência global iniciada por países como a Austrália e estados dos EUA, que também estão a legislar contra o impacto negativo das redes sociais na juventude. Para o Brasil, o exemplo português serve como um importante precedente nas discussões que ocorrem atualmente no Congresso Nacional sobre o Marco Civil da Internet e a regulação das Big Techs.

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