Produtoras mudam contratos para uso de imagem na era da IA

A expansão da Inteligência Artificial no audiovisual já provoca mudanças concretas nos bastidores do cinema, da TV e do streaming. Relatório da Haivision aponta que 25% das distribuidoras utilizavam ferramentas de IA em 2025, salto relevante frente aos 9% verificados no ano anterior. A tecnologia é aplicada em legendagem, efeitos visuais, dublagem, roteiros, geração de vídeo, restauração e catalogação, entre outras tarefas.

Para acompanhar esse avanço, estúdios e plataformas passaram a inserir cláusulas de “uso universal de direito de imagem” nos contratos com artistas. O ator, diretor e produtor Cassio Scapin, 61 anos, afirma que o dispositivo tornou-se padrão. “Hoje qualquer contrato traz essa permissão; nossa imagem pode aparecer até do outro lado do mundo”, disse. Scapin relata encontrar, nas redes sociais, montagens em que versões de diferentes idades do personagem Nino, de Castelo Rá-Tim-Bum, interagem entre si sem sua autorização.

Produções feitas integralmente por IA já chegaram ao mercado. Em julho de 2025, a Latam Airlines e o Google lançaram uma série de vídeos sobre destinos de neve no Chile desenvolvidos com o sistema Veo 3. No mesmo ano, o estúdio londrino Xicoia apresentou Tilly Norwood, primeira atriz criada exclusivamente por algoritmos. O grupo planeja erguer até 2026 o “Tillyverse”, universo digital onde personagens virtuais construirão carreiras independentes.

Do ponto de vista da produção, a tecnologia também agiliza rotinas administrativas. O roteirista e produtor executivo Igor Bastos, 31 anos, fundador da Espacial Filmes, avalia que análises de documentos, campanhas de marketing e distribuição de filmes se tornaram mais rápidas. “Quem faz cinema quer filmar, não cuidar de papel”, afirma.

Apesar das vantagens, Bastos observa receio generalizado no setor: “A maioria teme o impacto da IA; poucos se declaram entusiastas. Para mim, ela é uma ferramenta de software que deve integrar, não substituir, o processo audiovisual”.

O debate sobre direitos autorais avança no Congresso. O Projeto de Lei 2338/2023 estabelece regras para desenvolvimento e uso de sistemas de IA no Brasil, prevê remuneração quando obras humanas forem usadas para treinar modelos e impõe limites ao reconhecimento facial. Bastos entende que a proposta pode equilibrar mercado e criadores: “O essencial é remunerar o autor sempre que propriedade intelectual alheia gerar conteúdo novo”.

Escaladas da Inteligência Artificial no audiovisual recolocam a proteção de identidade e imagem no centro das negociações. Enquanto produtores testam recursos que reduzem custos e prazos, intérpretes buscam salvaguardas contra montagens não autorizadas. A tendência é que a revisão contratual continue até que a legislação defina parâmetros claros para o uso de dados visuais e sonoros de artistas.

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