Reality ‘Meu Namorado Coreano’ na Netflix irrita público do Brasil

O reality show Meu Namorado Coreano, lançado recentemente pela Netflix, tornou-se alvo de críticas e comentários ácidos nas redes sociais brasileiras. No X, antigo Twitter, a produção foi qualificada por usuários como “vergonhoso” e “fantasia de dorama”, indicações de que a recepção ficou longe do entusiasmo esperado pela plataforma.

A principal frustração relatada parte de um desencontro entre expectativa e resultado. Muitos espectadores imaginavam encontrar algo próximo aos romances acelerados e repletos de declarações que caracterizam os k-dramas. Em vez disso, o programa exibe longos silêncios, encontros constrangidos e dificuldades reais de conexão entre casais que até então só se relacionavam on-line.

Esse contraste evidencia o choque cultural que norteia a narrativa. Enquanto demonstrações intensas de afeto são comuns no Brasil, na Coreia do Sul predomina maior reserva em público e um ritmo mais lento para definir compromissos. O que para brasileiras participantes soa como frieza, para os parceiros coreanos representa comportamento cotidiano. A série, portanto, expõe essas diferenças sem recorrer a enredos roteirizados, apostando na tensão gerada pelo contato direto entre costumes tão distintos.

A reação negativa, porém, não se traduz em rejeição absoluta. O elevado volume de publicações indica alto engajamento, fenômeno conhecido como hate watch: espectadores continuam assistindo para criticar, rir ou transformar a experiência em memes. “Estou vendo apenas para comentar como é vergonhoso”, admitiu uma internauta. Outro usuário definiu a atração como “pura fantasia de dorama que deu errado”.

Embora o tom das mensagens seja majoritariamente de irritação, elas impulsionam a visibilidade de Meu Namorado Coreano e levantam debate sobre idealização romântica, limites culturais e expectativas afetivas. A Netflix não divulgou dados de audiência, mas a intensidade das discussões sugere que o reality alcançou repercussão acima da média para o gênero no país.

Sem oferecer escapismo tradicional, a série aposta em situações desconfortáveis e, com isso, evidencia mais sobre o público que a assiste do que sobre os participantes. A estratégia divide opiniões, mas mantém Meu Namorado Coreano no centro das conversas digitais, reforçando o papel da diferença cultural como principal motor de sua narrativa.

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