
BRASÍLIA – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira (11) que não há motivo técnico para aumentar o preço da gasolina no Brasil após a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Ele declarou que distribuidoras e postos que reajustarem valores sem justificativa poderão ser multados e investigados pela Polícia Federal.
“É naturalmente um momento de apreensão do mundo inteiro, mas não existe risco de abastecimento e há plena condição de manter o preço dos combustíveis”, disse Silveira. Segundo o ministro, qualquer elevação neste momento caracterizaria “especulação criminosa”.
O governo pretende acionar a Senacon, a Agência Nacional do Petróleo, o Cade e a PF para fiscalizar eventuais abusos. O objetivo é impedir que a volatilidade internacional seja usada como argumento para ganhos extraordinários no mercado interno.
Silveira destacou que o Brasil é exportador líquido de petróleo e apenas parte do diesel e da gasolina consumidos é importada. Por isso, avaliou que o conflito no Oriente Médio não compromete o suprimento doméstico.
Na mesma manhã, o Irã atacou três navios no Golfo Pérsico e reiterou a disposição de manter fechado o estreito de Hormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo global. A ameaça levou o Brent a subir 6% após abrir em queda. Em resposta, a Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, medida inédita em seu histórico.
A Petrobras, que controla a maior parte da produção e do refino no país, considera o movimento nos preços internacionais “volatilidade de momento” e vê sinais insuficientes para repassar custos. Integrantes do governo lembram que reajustar o preço da gasolina seria impopular em ano pré-eleitoral e tratam o tema com cautela.
Mesmo assim, postos de combustíveis e entidades do setor pressionam por aumento, citando a defasagem em relação ao mercado externo, que reduz margens internas e incentiva a exportação. Parte desses estabelecimentos já reajustou valores nas bombas, elevando o custo para o consumidor.
“O que há é uma criminosa especulação por parte de distribuidoras e revendedores; vamos aplicar as multas devidas”, afirmou o ministro. Operações de fiscalização devem começar nos próximos dias.

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