Sinais na boca alertam para possível risco de câncer colorretal

Alterações aparentemente simples na saúde bucal podem indicar um risco maior de câncer colorretal, segundo o dentista Mark Burhenne, entrevistado pelo jornal britânico Daily Mail. O profissional afirma que determinados problemas na boca refletem desequilíbrios na microbiota oral, fenômeno que, em alguns estudos, mostrou correlação com tumores no intestino grosso.

Sangramento gengival e doença periodontal

O primeiro sinal de atenção citado por Burhenne é o sangramento nas gengivas, típico de gengivite ou periodontite. Essas infecções, causadas pelo acúmulo de placa bacteriana, elevam de 17% a 21% a probabilidade de desenvolvimento de câncer colorretal. “A inflamação crônica na gengiva pode espelhar o que ocorre no trato digestivo”, destacou o dentista.

Mau hálito persistente

Outro indício é o mau hálito que não melhora com a higiene convencional. O odor pode sinalizar a presença de Fusobacterium nucleatum, bactéria identificada em concentrações elevadas em tumores intestinais. A detecção frequente desse microrganismo em ambas as regiões sugere um possível elo entre boca e cólon.

Alterações de cor na língua

Língua branca ou amarelada, aparência que costuma acompanhar mudanças no microbioma oral, também merece investigação. Pesquisas apontam que essa camada pode refletir desequilíbrios bacterianos associados ao intestino, reforçando a necessidade de avaliação clínica quando o quadro persiste.

Perda de dentes

Mesmo a perda parcial da arcada dentária aparece na literatura como fator ligado ao surgimento de lesões pré-cancerígenas no cólon. Manter consultas odontológicas regulares e tratar precocemente infecções na boca são medidas recomendadas para reduzir esse risco sistêmico.

Sintomas intestinais continuam sendo centrais

Apesar dos alertas bucais, os sinais digestivos permanecem fundamentais para o diagnóstico. De acordo com a oncologista Marcela Crosara, a ausência de tratamento pode levar à obstrução intestinal em poucos meses. Ela ressalta o papel da colonoscopia como exame padrão para identificar pólipos e tumores nos estágios iniciais.

O oncologista Nilson Correia lembra que os primeiros sintomas do câncer colorretal são, em geral, inespecíficos. Entre eles estão diarreia ou constipação, sangue nas fezes, cólicas, dor ou sensação de evacuação incompleta, alteração no formato das fezes, perda de apetite, fadiga e vômitos.

Quando procurar ajuda médica

A presença de um ou mais desses sintomas não confirma a doença, mas justifica a busca por um gastroenterologista, cirurgião geral ou oncologista para avaliação detalhada. Exames de imagem, testes laboratoriais e histórico familiar orientam a conduta.

Estilo de vida e prevenção

Especialistas reforçam que hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação pobre em fibras, sedentarismo, sobrepeso e privação de sono favorecem inflamações, alterações hormonais e danos ao DNA, contribuindo para o câncer colorretal. Ajustes na dieta, prática regular de atividade física e controle do peso são estratégias comprovadas de prevenção.

Manter a higiene bucal em dia, realizar consultas odontológicas periódicas e ficar atento a qualquer mudança na boca podem, portanto, oferecer um sinal de alerta adicional e complementar às ações de rastreio do câncer colorretal.

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