
Especialistas em saúde cerebral alertam que hábitos comuns da vida moderna — como dormir pouco, abusar do celular e consumir cafeína em excesso — podem manter o organismo em estado permanente de alerta e desequilibrar o sistema nervoso.
A psiquiatra Mariela Andraus afirma que o modo de vida cotidiano interfere diretamente no cérebro. “A saúde mental não depende apenas de fatores genéticos ou psicológicos; o estilo de vida pesa bastante”, declarou em entrevista. Entre os principais gatilhos apontados por Andraus estão sono insuficiente, tempo prolongado diante de telas, excesso de cafeína e sedentarismo.
Consequências do déficit de sono
Segundo a neurologista Stephanie Gomes de Almeida Machado, o repouso noturno é decisivo para a saúde do cérebro. Durante o sono, o sistema glinfático remove resíduos potencialmente tóxicos e consolida memórias. Quando as horas de descanso são reduzidas, a amígdala — área ligada às emoções — torna-se mais reativa, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo controle racional, perde eficiência. O resultado pode ser aumento da irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração.
Impacto do uso constante de celular
O fluxo ininterrupto de notificações também afeta o equilíbrio emocional. Cada alerta sonoro estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à recompensa, o que reforça a checagem compulsiva do aparelho. Esse padrão favorece o estado de “atenção parcial contínua”: a mente salta rapidamente de um estímulo a outro sem se aprofundar, o que esgota a energia mental e dificulta o foco prolongado. “Ficamos em vigilância superficial constante”, explicou Machado.
Riscos do consumo elevado de cafeína
A cafeína, estimulante presente no café e em bebidas energéticas, pode intensificar palpitações, tremores e agitação quando ingerida em grandes quantidades. Além disso, seu efeito prolongado interfere na arquitetura do sono, retroalimentando o ciclo de privação de descanso e prejudicando ainda mais o sistema nervoso.
Estratégias recomendadas
Para preservar a saúde cerebral e reduzir a sobrecarga emocional, os especialistas sugerem ajustes simples:
- Estabelecer horários regulares para dormir e acordar;
- Diminuir o uso de telas à noite e fazer pausas ao longo do dia;
- Praticar atividade física de forma consistente;
- Expor-se à luz natural nas primeiras horas da manhã.
De acordo com Andraus, “pequenas mudanças cotidianas já são capazes de aliviar a sensação de sobrecarga e melhorar o desempenho cognitivo”. A adoção desses cuidados fortalece o bem-estar geral e contribui para o funcionamento adequado do cérebro em curto e longo prazo.

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