
Os estandes em feiras de negócios e eventos corporativos deixaram de ser meros pontos de exposição para assumir um papel central nas estratégias de relacionamento das marcas. Empresas de diferentes segmentos vêm incorporando ações de interação, comunicação e geração de negócios nesses espaços físicos, com o objetivo de aproximar‐se do público e estender o impacto da participação muito além dos dias de evento.
Marketing presencial ganha nova função
Até poucos anos atrás, a principal métrica de sucesso de um estande era a quantidade de leads coletados ou o volume de produtos exibidos. Hoje, entretanto, o planejamento passa a considerar objetivos mais amplos, como fortalecimento de marca, construção de vínculos comerciais e criação de memória afetiva junto aos visitantes. Essa mudança reflete a evolução do marketing presencial, que busca integrar a experiência física às ações digitais e às iniciativas de relacionamento contínuo.
Para isso, as equipes responsáveis pelo design e pela operação dos estandes analisam cada fase da jornada: antes, durante e depois do evento. A definição do layout, o fluxo de visitação, a escolha dos recursos tecnológicos e a capacitação dos atendentes são pensados de forma a maximizar oportunidades de interação qualificada. Os contatos iniciados no pavilhão passam a ser nutridos por campanhas de e‐mail, webinars e apresentações personalizadas, formando um ciclo de comunicação que perdura meses após a desmontagem das estruturas.
Pesquisa destaca poder das experiências presenciais
Números recentes reforçam a relevância desse movimento. O Estudo EventTrack 2026, conduzido pela Sparks em parceria com a Event Marketer, entrevistou mais de mil profissionais de marketing e participantes de eventos. Entre os consumidores B2C, 61% afirmaram ter maior propensão a comprar depois de vivenciar uma experiência de marca presencial. No universo B2B, 85% disseram sentir‐se mais bem informados após interagir fisicamente com produtos, especialistas e conteúdos durante feiras ou congressos.
Essas taxas de influência diretas sobre intenção de compra e percepção de conhecimento mostram que os estandes em feiras de negócios podem impulsionar resultados mensuráveis quando alinhados a objetivos claros. No entanto, os organizadores do estudo alertam que o impacto depende dos critérios de avaliação adotados por cada companhia, variando de simples contagem de atendimentos a modelos mais sofisticados de atribuição de receita.
Mercedes-Benz adota abordagem integrada na Agrishow 2026
Caso emblemático desse novo posicionamento foi observado na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto. A montadora Mercedes-Benz encomendou à LGL Case um estande de mais de 1.000 m², reunindo veículos comerciais, serviços financeiros, linha de consórcios e a coleção de produtos licenciados. A área incluiu lounges para reuniões, café, espaços de demonstração e atendimento especializado. Cerca de 50 profissionais participaram da montagem e da operação durante a feira.
Segundo Gustavo Costa, CEO da LGL Case, o projeto foi concebido para entregar valor em múltiplas frentes. “O planejamento desses ambientes deve considerar os objetivos de comunicação e o relacionamento que a marca pretende estabelecer com os visitantes”, explica. De acordo com o executivo, cada setor do estande foi desenhado para conduzir o visitante por uma narrativa que conectava produtos, serviços financeiros e pós‐venda, reforçando a percepção de ecossistema completo da companhia.
Presença reforçada no Congresso SAE BRASIL 2026
A mesma abordagem foi replicada no Congresso SAE BRASIL 2026, dedicado à engenharia automotiva. Novamente sob responsabilidade da LGL Case, o estande da Mercedes-Benz destacou inovação tecnológica e soluções de mobilidade, enquanto mantinha o foco em conversas mais aprofundadas com engenheiros, fornecedores e tomadores de decisão. A reutilização de elementos cenográficos e a migração de parte da equipe entre os dois eventos contribuíram para manter a mensagem de marca consistente em públicos distintos.
Planejamento começa antes da feira e segue após o evento
A adoção de uma estratégia de relacionamento exige preparação prévia. Em muitos projetos, as marcas iniciam o engajamento semanas antes da abertura oficial, enviando convites segmentados, teasers de conteúdos exclusivos e agendas de reuniões. No dia a dia da feira, ferramentas de captura de dados em tempo real registram interesses específicos, permitindo que as equipes de vendas façam o follow‐up de maneira personalizada.
Concluído o evento, essas informações alimentam o CRM corporativo, disparando e‐mails e telefonemas que transformam conversas informais em oportunidades de negócio. “O estande deixa de ser um ponto isolado e passa a fazer parte de uma jornada de relacionamento maior”, reforça Costa. Nas semanas seguintes, a Mercedes-Benz conduz webinars técnicos e visitas a concessionárias, convertendo o engajamento presencial em experimentação de produto e, potencialmente, em vendas.
Benefícios percebidos por organizadores e expositores
Do ponto de vista dos organizadores de feiras, estandes mais interativos aumentam o tempo de permanência do visitante e elevam o valor percebido do evento. Para os expositores, a possibilidade de coletar dados qualificados e aprofundar a conversa é vista como vantagem competitiva frente a ações de marketing exclusivamente digitais, onde a taxa de atenção costuma ser mais baixa.
Além disso, a integração entre espaços físicos e canais online permite mensurar resultados de forma mais transparente. Indicadores como taxa de engajamento, número de leads convertidos e retorno sobre investimento podem ser acompanhados em dashboards unificados, auxiliando na tomada de decisão sobre participação em futuras edições.
Tendências para os próximos anos
Especialistas apontam que, até 2026, o uso de tecnologias imersivas, como realidade aumentada e inteligência artificial generativa, deve ampliar ainda mais a capacidade de personalização dentro dos estandes em feiras. Tótems de autoatendimento com IA poderão recomendar conteúdos específicos conforme o histórico do visitante, enquanto aplicativos de realidade aumentada tenderão a demonstrar funcionalidades de produtos sem a necessidade de grandes mostruários físicos.
Outra tendência é a adoção de métricas de sustentabilidade. Montadoras de estandes e expositores começam a medir a pegada de carbono das estruturas, priorizando materiais recicláveis e reutilização de componentes em diferentes eventos. Essa preocupação dialoga com a agenda ESG, cada vez mais relevante na seleção de fornecedores e parceiros comerciais.
Desafios de implementação
Embora o potencial seja claro, transformar um estande em centro de relacionamento requer investimentos em design, treinamento de equipes e integração de sistemas. Grande parte das empresas ainda enfrenta dificuldades para conectar dados capturados offline aos CRMs corporativos. Além disso, a medição de resultados pode ser comprometida quando não há alinhamento prévio entre marketing e vendas sobre quais indicadores devem ser avaliados.
Outro ponto crítico é a consistência da mensagem. Marcas globais que participam de múltiplas feiras regionais precisam garantir que a experiência oferecida em cada local reflita os mesmos valores, mesmo quando adaptada a perfis de público distintos. Isso implica definir guidelines claros de identidade visual, tom de voz e fluxo de atendimento.

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