
Servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos 27 tribunais regionais eleitorais definiram, neste sábado (24), o conjunto de urnas que passará pelos testes de integridade e autenticidade no segundo turno das eleições gerais de 2026. Ao todo, centenas de equipamentos foram sorteados ou escolhidos na presença de partidos e entidades fiscalizadoras, medida que abre a fase final de conferência dos sistemas eletrônicos de votação.
Como foi decidido o número de urnas auditadas?
Os quatro maiores colégios eleitorais do país – São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia – concentrarão 43 urnas nos exames: 33 participarão do teste de integridade e 10 do teste de autenticidade. Estados com grande eleitorado, como Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará, terão 35 urnas analisadas, sendo 27 para integridade e 8 para autenticidade. Já Roraima, menor colégio do país, submeterá 23 equipamentos às verificações (20 no primeiro teste e 3 no segundo).
O total de máquinas é definido por resolução do TSE, que leva em conta o tamanho do eleitorado de cada unidade da federação. Durante o sorteio público, cada seção selecionada recebe imediatamente uma urna reserva, enquanto o equipamento original é lacrado e encaminhado a um local seguro definido pelo respectivo TRE.
Teste de integridade: passo a passo
Nesse ensaio, a urna é submetida a uma votação simulada. Representantes de partidos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e demais entidades preenchem cédulas de papel com as escolhas que desejam reproduzir no sistema eletrônico. Essas cédulas são depositadas em urnas de lona e lacradas na mesma hora.
No domingo de votação, a partir das 8h, servidores do Judiciário e do Ministério Público retiram, diante de câmeras, as cédulas de papel da urna de lona e digitam, uma a uma, as escolhas na urna eletrônica. Quando o relógio marca 17h, encerram a simulação, imprimem o boletim de urna e comparam os resultados com o registro em papel. Caso tudo coincida, o equipamento passa no teste de integridade.
Parte dos experimentos utiliza biometria. Nesses casos, eleitores voluntários cedem suas digitais para registrar os votos simulados, aumentando o grau de realismo do procedimento.
Teste de autenticidade: checagem antes de abrir a votação
O exame de autenticidade ocorre nas próprias seções sorteadas, minutos antes de os portões se abrirem para o eleitorado. A equipe rompe o lacre do compartimento onde fica a mídia que armazena o software da urna, extrai o cartão de memória e confere se os resumos e as assinaturas digitais correspondem exatamente aos arquivos assinados e lacrados pelo TSE na cerimônia de carga e lacre dos sistemas. Não há votação simulada nessa etapa; o objetivo é garantir que o equipamento executa, sem alterações, o código-fonte autenticado pela Justiça Eleitoral.
Quem fiscaliza todo o processo?
Além dos partidos políticos e coligações, a Justiça Eleitoral convidou 12 entidades para acompanhar cada detalhe da auditoria. Entre elas estão a Controladoria-Geral da União (CGU), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Polícia Federal, a Sociedade Brasileira de Computação, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Cada organização pode indicar representantes, que têm permissão para assistir, filmar e questionar todos os procedimentos.
Zerésima comprova urnas limpas antes do primeiro voto
Na tarde de sábado, o TSE realizou em Brasília a tradicional cerimônia de verificação dos sistemas de totalização. Técnicos do tribunal conferiram as assinaturas digitais que protegem cada módulo do software responsável pela apuração, validando que nenhum arquivo foi alterado após o lacre oficial.
Logo em seguida, o TSE emitiu a “zerésima” – relatório que lista, candidato por candidato, a inexistência de votos no banco de dados central antes do início da eleição. O mesmo documento será impresso em cada seção eleitoral do país na manhã de domingo. A partir desse momento, mesários afixam a zerésima na porta da sala de votação, onde pode ser conferida por qualquer cidadão.
Para o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a transparência desse ritual reforça a confiança pública no processo. “É nosso dever sagrado assegurar que cada sufrágio seja registrado e apurado com exatidão e fidelidade”, afirmou. Pouco depois, ele reiterou: “Os eleitores podem ter a mais absoluta certeza de que seu voto será preservado e totalizado com integridade e transparência”.
Próximos passos após a auditoria
Se todos os testes forem aprovados, os TREs encaminham relatórios ao TSE confirmando a conformidade das urnas examinadas. Havendo qualquer discrepância – hipótese que nunca se concretizou desde que os testes foram criados – o tribunal determina perícia técnica imediata para identificar a causa e, se necessário, anular aquela urna e realizar novas eleições na seção afetada.
A conclusão das auditorias integra o plano de segurança da Justiça Eleitoral, que também engloba transmissão criptografada dos boletins de urna, uso de redes privadas para envio de dados e redundância de servidores no centro de processamento do TSE.
Impacto da iniciativa na confiança do eleitorado
Ao tornar públicos os procedimentos e abrir espaço para observadores independentes, o TSE busca afastar dúvidas sobre o sistema eletrônico de votação, utilizado no Brasil desde 1996. Segundo pesquisa interna do tribunal divulgada no início do ano, 82% dos eleitores afirmam confiar na urna eletrônica; entre os entrevistados que conhecem os testes de integridade, esse índice sobe para 93%.
Especialistas lembram que a combinação de auditoria prévia (autenticidade), auditoria paralela (integridade) e zerésima oferece três camadas complementares de verificação. Na prática, qualquer tentativa de fraude exigiria alterar simultaneamente o software autenticado, a contagem paralela e o relatório zerado – um obstáculo considerado tecnicamente inviável.
Calendário e cobertura do segundo turno
Após a votação de domingo, a previsão é que o TSE divulgue o resultado final ainda na mesma noite, graças à totalização automática dos boletins de urna. As auditorias concluídas neste fim de semana não interferem no cronograma, pois ocorrem paralelamente à votação oficial.
Partidos e entidades credenciadas terão até 48 horas depois da divulgação dos resultados para solicitar acesso aos logs das urnas auditadas, outra etapa de transparência que costuma atrair universidades e institutos de pesquisa interessados em estudar os dados.
O que esperar depois do pleito
Com a etapa de auditoria superada, a Justiça Eleitoral volta suas atenções para a diplomação dos eleitos, marcada para dezembro. Nesse intervalo, o TSE analisará eventuais recursos e ações judiciais que contestem o resultado ou o próprio processo de votação. Historicamente, casos ligados a falhas em urnas auditadas são raríssimos e, quando ocorrem, concentram-se em problemas pontuais de hardware – baterias, teclados ou impressoras de boletim – sem qualquer impacto na totalização.
A partir de 2027, o tribunal planeja ampliar a amostragem do teste de integridade com biometria, atraindo mais cidadãos como voluntários e reforçando o elo entre a escolha no teclado e o registro digital. A medida faz parte do Programa de Fortalecimento da Transparência Eleitoral iniciado em 2024.
Perguntas Frequentes
Quantas urnas serão auditadas no segundo turno?
Serão mais de 100 urnas distribuídas em todos os estados, com destaque para os maiores colégios eleitorais, que concentram a maior parte dos testes.
O que é a zerésima?
É um relatório impresso pela urna eletrônica antes do início da votação que comprova a ausência de votos registrados.
Quem pode acompanhar os testes de integridade?
Representantes de partidos, Ministério Público, OAB, entidades técnicas e qualquer cidadão previamente credenciado.
O que acontece se uma urna reprovar?
Ela é isolada, periciada e, se necessário, os votos daquela seção podem ser anulados com nova eleição local.
Qual a diferença entre teste de integridade e de autenticidade?
O de integridade simula a votação para comparar resultados; o de autenticidade verifica, antes do pleito, se o software na urna é o mesmo homologado pelo TSE.

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