
Palavra-chave foco: cotação do dólar
A cotação do dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (6) em alta de 0,44%, vendida a R$ 5,511, enquanto o Ibovespa avançou 1,39% e alcançou 168.498,45 pontos. O movimento refletiu, principalmente, a divulgação de um relatório de emprego mais forte do que o previsto nos Estados Unidos e a atenção de investidores às sinalizações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a condução da política fiscal durante o quarto mandato.
Emprego aquecido nos Estados Unidos fortalece dólar
O Departamento do Trabalho norte-americano reportou a criação de 165 mil vagas em outubro, bem acima da projeção de 65 mil vagas feita por analistas. A taxa de desemprego, que havia sido de 4,2% em setembro, também recuou. A leitura reforçou a percepção de resiliência da maior economia do mundo e elevou apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter juros elevados por mais tempo.
Com isso, o índice DXY — que compara o desempenho do dólar a uma cesta de seis moedas fortes — ganhou 0,76% e terminou o dia em 102,320 pontos. O fortalecimento externo da divisa se refletiu imediatamente no mercado brasileiro de câmbio.
Evolução semanal do câmbio
A moeda norte-americana acumulou alta de 1,20% entre segunda e sexta-feira. Operadores explicam que, além do quadro internacional favorável ao dólar, há incertezas locais sobre o encaminhamento do arcabouço fiscal e sobre a composição econômica do novo governo, fatores que mantêm a procura por proteção cambial.
Declarações de Lula entram no radar
No front doméstico, investidores repercutiram as falas do presidente durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética. Lula afirmou que pretende “manter responsabilidade fiscal e social”, indicando compromisso com equilíbrio de gastos, ainda que não tenha detalhado medidas concretas. Para participantes do mercado, qualquer pista sobre a direção da política econômica segue capaz de influenciar a cotação do dólar e os ativos locais.
Desempenho do Ibovespa
O principal índice da B3 operou em campo positivo durante toda a sessão, impulsionado pela recuperação das ações de tecnologia negociadas em Nova York e por ajustes de portfólio ao fim da primeira semana de novembro. O Ibovespa oscilou entre a mínima de 165.909,74 pontos e a máxima de 169.073,04 pontos. O volume financeiro somou R$ 29,04 bilhões antes dos ajustes finais.
Mesmo com a alta diária, o índice brasileiro acumula avanço modesto de 0,29% na semana e permanece bem abaixo dos níveis superiores a 205 mil pontos registrados antes do resultado das eleições presidenciais.
Bolsas de Nova York divergentes
Nos Estados Unidos, o Nasdaq subiu 1,09%, o S&P 500 ganhou 0,31%, enquanto o Dow Jones recuou 0,46%. O desempenho misto refletiu, de um lado, a retomada parcial de papéis de tecnologia castigados na véspera e, de outro, a cautela diante da perspectiva de juros elevados. Na quinta-feira, o Nasdaq havia afundado 5,52% após receios de uma bolha no segmento de inteligência artificial.
Apesar da recuperação parcial, os três principais índices de Wall Street encerraram a semana no vermelho: Dow Jones caiu 0,94%, S&P 500 recuou 2,68% e Nasdaq perdeu 3,37%.
Setores de peso na B3
No pregão doméstico, empresas ligadas a commodities, bancos e varejo contribuíram para a trajetória positiva do Ibovespa. Papéis do setor de petróleo repercutiram os preços internacionais da commodity, enquanto ações de tecnologia, ainda que com menor peso no índice, acompanharam a recuperação vista em Nova York.

Curvas de juros domésticas
As taxas futuras de juros tiveram leve avanço nos contratos com vencimentos mais longos, refletindo a combinação de dólar mais caro, incerteza fiscal e dados robustos dos Estados Unidos. Os vértices curtos, porém, permaneceram praticamente estáveis diante da expectativa de que o Banco Central brasileiro prossiga o ciclo de cortes de 0,50 ponto percentual na Selic nas próximas reuniões.
Expectativas para o Federal Reserve
O mercado global segue monitorando as próximas reuniões do Fed. Uma parte dos analistas passou a projetar chances maiores de manutenção do nível atual de juros por um período prolongado, caso novos indicadores confirmem a resiliência do mercado de trabalho norte-americano. Para economistas consultados, qualquer sinalização do banco central dos EUA sobre o ritmo de afrouxamento monetário poderá alterar fluxos de capitais e, consequentemente, a cotação do dólar frente ao real.
Perspectivas de curto prazo
A agenda da próxima semana traz como destaques a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos e, no Brasil, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Dados de inflação americana ganham relevância adicional após o relatório de emprego mais forte, pois podem reforçar ou atenuar apostas sobre a trajetória de juros internacionais.
No cenário interno, agentes acompanharão possíveis anúncios de equipe ministerial e mais detalhes sobre a proposta de orçamento. Qualquer avanço ou ruído nessa área tende a impactar tanto o Ibovespa quanto a cotação do dólar, que segue sensível a percepções de risco fiscal.
Resumo dos principais indicadores do dia
Dólar à vista: R$ 5,511 (+0,44%)
Dólar na semana: +1,20%
Ibovespa: 168.498,45 pontos (+1,39%)
Ibovespa na semana: +0,29%
Índice DXY: 102,320 pontos (+0,76%)
Com sinais mistos no exterior e atenção renovada para o quadro fiscal brasileiro, participantes do mercado avaliam que a volatilidade poderá permanecer elevada nos próximos dias, especialmente se novos indicadores reforçarem a percepção de que a economia norte-americana suporta juros altos por mais tempo.
Para um gestor de câmbio de uma corretora paulista, “o ambiente de aversão ao risco não deve desaparecer rapidamente, pois qualquer surpresa no CPI dos EUA pode mexer de novo com a curva de juros e, por consequência, com a cotação do dólar”, afirmou, pedindo anonimato por políticas internas.
Assim, o patamar de R$ 5,50 pode continuar funcionando como ponto de referência para os próximos negócios, até que surjam elementos novos capazes de deslocar o preço para outro patamar.

Faça um comentário