
A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ocupará a capital paulista de 15 a 29 de outubro de 2026 com 380 produções vindas de 93 países. A edição de aniversário celebra o cineasta norte-americano James Gray, 57 anos, que comparece à sessão inaugural para apresentar “Tigre de Papel”, estrelado por Adam Driver e Scarlett Johansson, e conduz uma masterclass mediada por Walter Salles no Solar Fábio Prado.
Programação internacional amplia perspectivas
Entre os longas estrangeiros confirmados, destacam-se “Minotaur”, novo trabalho do russo radicado na França Andrey Zvyagintsev, laureado em Cannes, e “The Samurai and the Prisoner”, de Kiyoshi Kurosawa, selecionado para a mostra Cannes Première. Também entram na grade títulos premiados na edição mais recente do festival francês, reforçando o caráter panorâmico da Mostra.
A retrospectiva dedicada a Artavazd Pelechian apresenta oito filmes restaurados, produzidos entre 1964 e 1993, incluindo “The Seasons” e “Our Century”. As sessões retomam a obra do realizador armênio, pouco vista em circuito comercial, e sublinham a vocação curatorial de uma mostra que mescla lançamentos e preservação cinematográfica.
Cinema brasileiro em destaque
Mais de 100 produções nacionais figuram nas seções oficiais. “Elza”, de Eryk Rocha; “Fernanda”, de Pedro Waddington; “Ney por Trás das Máscaras”, de Esmir Filho; “Feito Pipa”, de Allan Deberton, e “100 Dias”, de Carlos Saldanha, estão na Mostra Brasil. Já a Competição Novos Diretores reúne dez longas brasileiros, ao lado de obras de mais de 60 países, enfatizando a renovação do audiovisual local.
A Mostra em Série, voltada a narrativas episódicas, projeta “Sócrates Brasileiro” (ep. 1 e 2), de Walter Salles; “Coligay” (ep. 1 e 2), de Paulo Machline; a segunda temporada de “Colônia”, de André Ristum; “Leve Chico”, de Marianna Brennand, e “O Oligarca e o Negociante de Arte”, de Andreas Dalsgaard, refletindo a expansão de formatos além do longa-metragem tradicional.
Ingressos custam de R$ 0 a R$ 640
A política de preços segue diversificada. Equipamentos da prefeitura, como os centros culturais e CEUs integrados ao Circuito Spcine, terão sessões gratuitas. As exibições a preços populares, fixados entre R$ 2 e R$ 4, ocorrem no Centro Cultural São Paulo (Sala Paulo Emílio) e no Centro Cultural Olido.
No circuito comercial, os tíquetes variam conforme o dia: de segunda a quinta-feira custam R$ 13 (meia) e R$ 26 (inteira); sextas, fins de semana e feriados passam a R$ 16 (meia) e R$ 32 (inteira). Há ainda o Permanente Integral, que garante acesso irrestrito ao festival por R$ 640, o Permanente Especial, válido apenas até as 17h55 em dias úteis, por R$ 160, e pacotes de 20 ou 40 entradas, oferecidos por R$ 270 e R$ 440, respectivamente.
A venda digital começa em 10 de outubro, via aplicativo oficial e site Velox Tickets. Ingressos avulsos podem ser adquiridos a partir de quatro dias antes de cada sessão.
Salas participantes
Além do CineSesc, Cinesala, Cine Tutu e Espaço Petrobras de Cinema, a Mostra utilizará estruturas municipais como Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes e 26 CEUs — entre eles Aricanduva, Butantã, Freguesia do Ó e São Miguel — ampliando a oferta fora do eixo central. A Sala Petrobras na Mostra, o Teatro Sérgio Cardoso, o Bulevar do Rádio (Sesc Paulista) e o Itaú Cultural também exibem filmes com entrada franca.
3ª Mostrinha valoriza público infantil
Realizada simultaneamente, a 3ª Mostrinha traz 21 títulos de 20 países, 16 deles inéditos no Brasil, exibidos gratuitamente nas 27 salas do Circuito Spcine. A seção homenageia o cartunista Ziraldo (1932-2024) com um pôster inspirado em “Meu Amigo, o Canguru” (1990). Na abertura, em 15 de outubro, a Sala São Paulo projeta “Clarice Vê Estrelas”, de Letícia Pires.
Renata de Almeida, diretora da mostra, afirma que “a edição de 50 anos reforça a vocação de São Paulo como polo de diversidade cinematográfica”. Segundo ela, a programação foi montada “para dialogar tanto com cinéfilos de longa data quanto com novos públicos”.
Cartaz assinado por James Gray
Além de receber a homenagem, Gray concebeu o cartaz oficial da 50ª Mostra, onde referências visuais a sua filmografia convivem com a logomarca tradicional do festival. O artista visualiza a ocasião como “um encontro entre culturas que partilham a paixão pelo cinema”, declarou em comunicado.
Estrutura das seções
O evento mantém divisões já tradicionais: Perspectiva Internacional, Competição Novos Diretores, Mostra Brasil, Apresentação Especial, Homenageados, Restaurados, Mostrinha, Mostra em Série e Realidade Virtual. Cada recorte oferece curadoria específica, assegurando variedade temática e formal em toda a grade.
A Realidade Virtual, por exemplo, apresentará obras imersivas que demandam agendamento prévio, enquanto a seção Restaurados enfoca clássicos recuperados em cópias de alta qualidade. Na Competição Novos Diretores, o júri entrega o Prêmio Bandeira Paulista, oferecido pela Secretaria Municipal de Cultura, a longas de cineastas em seu primeiro ou segundo trabalho.
Como participar
Interessados podem consultar a programação completa no site oficial da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A plataforma permite filtrar sessões por sala, data, país de origem e seção, facilitando o planejamento do público. Para quem prefere deslocar-se pela cidade, o festival recomenda transporte público, pois vários cinemas ficam próximos a estações de metrô ou corredores de ônibus.
Menores de 12 anos têm entrada gratuita no CineSesc, e pessoas com deficiência contam com espaços reservados e sessões adaptadas. Materiais de acessibilidade, como legendas descritivas e audiodescrição, estarão disponíveis em títulos selecionados, reforçando o compromisso de democratizar o acesso.
Impacto cultural
Ao completar meio século, a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo consolida-se como um dos principais eventos do calendário cultural brasileiro, ao lado do Festival de Brasília e do cine-PE. A edição 2026 amplia a oferta gratuita, lança olhar sobre cinematografias raramente exibidas no país e destaca a força da produção nacional, reunindo estreantes e nomes consagrados.
Em 15 dias de exibições contínuas, o público terá a oportunidade de conhecer tendências estéticas, refletir sobre realidades distantes e revisitar marcos históricos da sétima arte. Seja por ingressos populares de R$ 2, por pacotes de 40 sessões ou pela aquisição de um passe integral, a mostra busca manter a tradição de ser um espaço plural, acessível e formador de público.

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