
O 5º Abav MeetingSP reunirá, nos dias 9 e 10 de dezembro, proprietários de agências de viagens associadas à Abav-SP para discutir cenários econômicos que podem impactar o setor nos próximos quatro anos. O encontro será realizado no Hotel Meliá Paulista, em São Paulo, e terá como principal atração a palestra “Perspectivas para a Economia e Turismo em 2027”, ministrada por Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP.
Panorama econômico previsto para 2027
Na apresentação, Dietze analisará indicadores-chave da economia brasileira, como PIB, renda, oferta de crédito, taxas de juros e câmbio, explicando de que forma cada variável interfere diretamente no poder de compra dos consumidores e, por consequência, na demanda por viagens. Segundo o economista, o cenário projetado para 2027 aponta um crescimento do PIB em torno de 2%, resultado ainda condicionado ao nível elevado da dívida pública e aos juros persistentes.
Esses fatores, destaca o palestrante, tendem a restringir o consumo em geral. Ainda assim, o turismo deve se manter acima da média de expansão da economia, sustentado principalmente pela disponibilidade de crédito e pelo desejo das famílias de viajar, mesmo que seja necessário adequar o orçamento. “O setor seguirá avançando, mas precisará lidar com adaptações de renda e com a seletividade do consumidor”, afirma Dietze.
Impactos da reforma tributária e de incertezas globais
Além dos indicadores macroeconômicos, o economista chamará atenção para a reforma tributária em discussão no Congresso e para a volatilidade nos mercados internacionais. Na visão dele, ambos os pontos ampliam as dúvidas dos empresários em relação a projetos de longo prazo e podem retardar a tomada de decisões de investimento. Essa conjuntura torna a gestão de caixa e o planejamento financeiro fatores decisivos para a sobrevivência das agências de viagens, sobretudo as de menor porte.
Relevância dos dados para a tomada de decisão
Com duas décadas dedicadas à análise de indicadores e do comportamento do consumidor, Guilherme Dietze coordena a criação de índices inéditos sobre o mercado turístico brasileiro e regional. Durante o Abav MeetingSP, ele deve compartilhar metodologias que permitem medir o desempenho das vendas, identificar tendências de consumo e antecipar variações de demanda em diferentes segmentos — lazer, corporativo, eventos e turismo interno.
Para o presidente da Abav-SP, Bruno Waltrick, trazer a economia para o centro do debate ajuda os empresários a definirem metas realistas e a protegerem seus negócios em cenários adversos. “Queremos que nossos associados cheguem a 2027 com planejamento extremamente consistente, mesmo diante das incertezas atuais”, observa Waltrick.
Estrutura do encontro e público-alvo
O Abav MeetingSP é direcionado exclusivamente a proprietários de agências de viagens filiadas à associação paulista. Nesta quinta edição, a programação inclui painéis técnicos, workshops e rodadas de networking que abordam temas como digitalização de processos, inovação em produtos turísticos, gestão de pessoas e tendências de consumo. A expectativa é receber participantes de todas as regiões do estado de São Paulo e de outros polos emissores do país.
O encontro mantém o formato intimista das edições anteriores, permitindo trocas diretas entre empresários e especialistas convidados. A organização reforça que o número de vagas é limitado e que as inscrições são feitas exclusivamente on-line.
Variáveis decisivas para o poder de compra do viajante
No recorte apresentado por Dietze, o comportamento do consumidor em 2027 dependerá de quatro variáveis principais:
1. Renda disponível: A evolução dos salários reais será determinante para definir o tíquete médio das viagens.
2. Crédito ao consumo: Linhas de financiamento e parcelamento seguirão impulsionando a compra de pacotes, passagens e hospedagem.
3. Juros e inflação: Taxas elevadas reduzem a propensão ao gasto, ao passo que inflação sob controle facilita o planejamento familiar.
4. Câmbio: A oscilação do real frente a moedas fortes influencia a escolha entre destinos nacionais e internacionais.
Ao entender como essas variáveis se articulam, as agências podem formular estratégias de preço, ampliar a oferta de serviços complementares e direcionar campanhas de marketing para perfis de clientes mais resilientes às crises.
Projeções específicas para o setor de viagens
Ainda de acordo com o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, o turismo doméstico apresenta potencial para crescer percentual superior ao da economia, favorecido pela expansão de aeroportos regionais, pelo avanço das companhias aéreas de baixo custo e pela busca por experiências de curta duração. No universo corporativo, a tendência é de retomada lenta, com eventos híbridos consolidando parte do mercado conquistado durante a pandemia.
Já o fluxo internacional dependerá da estabilidade do câmbio. Caso o dólar permaneça acima de patamares considerados altos pelo consumidor brasileiro, a migração para destinos internos deve se intensificar; se houver valorização do real, segmentos como cruzeiros e roteiros na América do Sul podem ganhar tração.
Gestão de risco e oportunidades de negócio
Frente a um crescimento econômico relativamente modesto, Dietze recomenda que os empresários adotem métricas de gestão de risco que considerem cenários conservador, moderado e otimista. A diversificação de portfólio, a segmentação de clientes e a adoção de ferramentas de inteligência de mercado aparecem como eixos de sustentação para atravessar períodos de oscilação da demanda.
No campo das oportunidades, a popularização do turismo de experiência, o fortalecimento de microdestinos regionais e a evolução da interoperabilidade entre meios de pagamento estão no radar para 2027. Esses fatores podem abrir espaço para agências investirem em roteiros personalizados, parcerias com produtores locais e soluções de pagamento mais acessíveis ao viajante.
Serviço
Data: 9 e 10 de dezembro
Local: Hotel Meliá Paulista – Av. Paulista, 2181, São Paulo (SP)
Inscrições: processo online e limitado a associados Abav-SP
O Abav MeetingSP reforça a importância de decisões pautadas em dados econômicos precisos, contribuindo para que o mercado de viagens trace rotas mais seguras rumo a 2027.

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