
O mercado de trabalho brasileiro registrou mais um marco histórico de recuperação e expansão. No trimestre móvel encerrado em julho de 2026, a taxa de desocupação no país recuou para 5,3%, estabelecendo o menor índice para este período de três meses desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012.
O resultado aponta uma trajetória de queda contínua no desemprego quando comparado aos períodos imediatamente anteriores. No trimestre encerrado em abril deste mesmo ano, a taxa se encontrava em 5,8%, enquanto no mesmo intervalo de três meses de 2025 o indicador marcava 5,6%. Os dados oficiais foram divulgados pelo IBGE e confirmam o aquecimento das contratações em setores estratégicos da economia nacional.
Segundo o levantamento do instituto, a população ocupada no Brasil alcançou o patamar inédito de 103,3 milhões de pessoas, estabelecendo um novo recorde absoluto da pesquisa. Além disso, o contingente de trabalhadores atuando com carteira de trabalho assinada no setor privado (excluindo os trabalhadores domésticos) subiu para 39,4 milhões de pessoas, atingindo igualmente o topo histórico da série temporal.
Construção civil e inovação tecnológica impulsionam a geração de postos de trabalho
O avanço no número de pessoas inseridas no mercado ocupacional ao longo do trimestre finalizado em julho foi impulsionado de maneira determinante por segmentos específicos da economia, com destaque principal para o setor da construção civil.
De acordo com a análise técnica apresentada por William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa do IBGE, a absorção de mão de obra no canteiro de obras liderou a criação de vagas operacionais:
“A maioria da expansão ocorreu entre pedreiros e trabalhadores elementares voltados para a construção de edifícios”, explicou o especialista.
Paralelamente ao dinamismo das obras físicas, a evolução tecnológica e a consolidação do ecossistema de plataformas digitais continuam reformulando as opções de ocupação para a população brasileira. O segmento que agrupa as atividades de transporte, armazenagem e correio — no qual se inserem os motoristas e entregadores de aplicativos de mobilidade e entrega — apresentou um crescimento de 5,4% na comparação direta com o mesmo trimestre do ano de 2025.
O analista da pesquisa destacou que a disseminação de dispositivos móveis reduziu as barreiras de entrada para o mercado de trabalho autônomo e de prestação de serviços:
“Hoje em dia, com um telefone celular e uma bicicleta, a pessoa consegue obter uma ocupação. A tecnologia está transformando a dinâmica estrutural do mercado de trabalho de forma acelerada”, acrescentou Kratochwill.
Redução da desocupação, desentusiasmo em queda e desafios da informalidade
A retração na taxa geral de desemprego refletiu-se em uma diminuição significativa no número absoluto de cidadãos em busca de uma vaga no mercado. O contingente total de desocupados no Brasil ficou estimado em 5,8 milhões de pessoas. O montante representa um recuo expressivo de 8% em relação ao trimestre encerrado em abril, significando que aproximadamente 503 mil pessoas deixaram a fila do desemprego no intervalo de apenas três meses.
Outro dado positivo registrado pela Pnad Contínua foi a queda vertiginosa na população desalentada — classificação atribuída àqueles cidadãos que desistiram temporariamente de procurar um emprego por acreditarem que não encontrariam uma oportunidade no mercado. Esse grupo marcou 2,3 milhões de pessoas no trimestre até julho, registrando um recuo de 9,7% frente ao trimestre móvel anterior.
Por outro lado, os dados do IBGE revelam a manutenção de desafios estruturais no que tange à qualidade e às garantias trabalhistas dos postos gerados. A taxa de informalidade no país alcançou 37,5% da população ocupada (frente aos 37,2% verificados no trimestre até abril). O contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado somou 13,8 milhões de pessoas, registrando uma alta de 3,6% (mais 477 mil pessoas) na comparação com o trimestre móvel anterior.
Sob os critérios adotados pelo instituto de estatística, são considerados trabalhadores informais aqueles que atuam no setor privado sem carteira registrada, os trabalhadores domésticos sem registro formal, além de trabalhadores por conta própria e empregadores que não possuem registro de CNPJ ativo. Essas categorias não possuem cobertura de garantias sociais básicas, tais como direito ao seguro-desemprego, aviso prévio, férias remuneradas e 13º salário.
Estabilidade nos rendimentos e metodologia da pesquisa do IBGE
Apesar do aumento no volume de pessoas trabalhando, a massa de rendimentos manteve trajetória de estabilidade. O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores no país ficou estimado em R$ 3.762, o que representa uma oscilação negativa residual de 0,7% na comparação com o trimestre finalizado em abril. O IBGE classifica essa variação pontual como estatisticamente estável.
A Pnad Contínua é o instrumento oficial do governo brasileiro para mensurar as oscilações do mercado de trabalho para a população em idade de trabalhar (a partir dos 14 anos de idade). O estudo abrange todas as modalidades de trabalho, englobando empregados com ou sem carteira, servidores públicos, trabalhadores temporários, autônomos e empregadores.
Para efeito metodológico, o IBGE considera rigorosamente como “desocupada” apenas a pessoa que estava sem trabalho, porém realizando busca efetiva por uma colocação nos 30 dias que antecederam a aplicação do questionário. Para compor o diagnóstico nacional com precisão estatística, os pesquisadores do instituto visitam periodicamente 211 mil domicílios espalhados por todos os estados do país e pelo Distrito Federal.
A menor taxa de desocupação já contabilizada em toda a história da Pnad Contínua ocorreu no último trimestre do ano de 2025, quando o indicador atingiu 5,1%. Em contrapartida, os piores patamares da série histórica foram registrados durante o auge da pandemia de Covid-19, quando a taxa bateu o recorde negativo de 14,9% nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e março de 2021.
O que você precisa saber sobre a queda do desemprego para 5,3%
Qual foi a taxa de desemprego registrada pelo IBGE no trimestre encerrado em julho?
A taxa de desemprego ficou em 5,3%, sendo o menor resultado para este trimestre de três meses em toda a série histórica da Pnad Contínua do IBGE.
Quantas pessoas estão trabalhando atualmente no Brasil?
A população ocupada no país atingiu o recorde histórico de 103,3 milhões de pessoas, com 39,4 milhões atuando com carteira de trabalho assinada no setor privado.
Quais setores mais impulsionaram a criação de novos postos de trabalho?
O crescimento da ocupação foi impulsionado principalmente pelo setor da construção civil e pelo segmento de transportes e entregas por aplicativos operados via smartphone.
Quanto é o rendimento médio do trabalhador brasileiro atualmente?
O rendimento médio real do trabalhador ficou estimado em R$ 3.762, valor considerado estável pelo IBGE em relação aos trimestres móveis anteriores.

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