Metrô de SP substitui bilhetes magnéticos por QR Code em novembro

Metrô de SP em novembro: leitor valida bilhete com QR Code, substituindo o bilhete magnético, enquanto as mãos do passageiro inserem o cartão na catraca.

O Metrô de São Paulo deixará de aceitar, a partir deste domingo (1º), os tradicionais bilhetes magnéticos do tipo Edmonson nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. Os cartões poderão ser utilizados normalmente até sábado (31). A medida encerra uma tecnologia em uso desde 1974 e abre espaço para o acesso por QR Code, pagamento por aproximação e outras soluções digitais.

Período e locais de troca

Para garantir que nenhum passageiro fique com créditos inutilizados, a companhia organizará um período de substituição dos bilhetes físicos por códigos bidimensionais. De 1º de novembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, usuários poderão apresentar os tíquetes Edmonson em duas estações estratégicas:

  • Paraíso (linhas 1-Azul e 2-Verde);
  • Tatuapé (linha 3-Vermelha).

O atendimento ocorrerá diariamente, das 6h às 22h, nos guichês de bilheteria que permanecerem abertos. Apenas bilhetes do tipo G-01 Unitário, válidos, sem rasgos, picotes ou danos na tarja magnética, serão recepcionados.

Regras para a substituição

Passageiros que apresentarem até dez bilhetes dentro dos critérios de conservação receberão, no ato, códigos equivalentes gravados em papel térmico ou encaminhados ao celular. Quem tiver quantidade superior deverá preencher formulário com nome, documento oficial, telefone ou e-mail. Esses tíquetes passarão por análise e validação; o Metrô avisará o usuário quando os novos bilhetes em QR Code estiverem prontos para retirada.

Novas formas de pagamento em destaque

Além do Bilhete Único, do cartão TOP e do bilhete unitário em QR Code, os passageiros contam com diversas alternativas para ingressar no sistema:

  • Compra de códigos nas máquinas de autoatendimento, que agora aceitam Pix e cartão de débito;
  • Pagamento direto na catraca por aproximação, via cartões físicos ou virtuais das bandeiras Visa, Mastercard e Elo;
  • Uso de celulares, relógios inteligentes e dispositivos compatíveis com carteiras digitais;
  • Aquisição de bilhetes pelo aplicativo TOP ou pelo WhatsApp oficial (+55 11 3777-9456).

Segundo a companhia, a ampliação dos meios de pagamento busca facilitar deslocamentos. “Estamos modernizando os acessos para tornar a viagem mais prática a todos os perfis de usuário”, afirmou, em nota, a direção do Metrô.

A trajetória do bilhete Edmonson

O cartão de 6,5 por 3 centímetros, inspirado nos tíquetes criados no século XIX pelo inglês Thomas Edmondson, foi adotado em São Paulo na inauguração da linha Norte-Sul, em 1974. Na década de 1990 recebeu tarja magnética, permitindo leitura automática nas catracas. De lá para cá, mais de 13,7 bilhões de unidades foram produzidas, incluindo cerca de 30 edições comemorativas — itens que se tornaram valiosos entre colecionadores.

Os primeiros lotes foram fabricados na França, acompanhados por equipamentos de leitura importados. Com o avanço da operação, a produção foi nacionalizada na Casa da Moeda e, anos depois, transferida a fornecedores na Argentina. O modelo, entretanto, já não dialogava com as exigências de integração tarifária e de tecnologia sem contato que hoje predominam em sistemas sobre trilhos ao redor do mundo.

Adoção de QR Code e benefícios logísticos

O código bidimensional, impresso ou digital, reduz custos de produção, simplifica a logística de distribuição e apresenta menor taxa de falhas em comparação à tarja magnética, sensível a poeira e sujeira. Com a leitura ótica, o tempo de processamento nas catracas também cai, impactando positivamente o fluxo de passageiros em horários de pico.

De acordo com engenheiros da companhia, o novo formato permite ainda o monitoramento em tempo real da ocupação das plataformas. “Os dados trafegam em nuvem, apoiam decisões operacionais e melhoram a segurança”, explicou um técnico do Centro de Controle Operacional, que pediu para não ser identificado por questões internas.

Impactos para colecionadores

A extinção do bilhete Edmonson mobiliza entusiastas que, há décadas, reúnem séries especiais. Entre elas, destacam-se a tiragem de 1996 alusiva aos 100 anos do cinema brasileiro e a edição de 2000 comemorando a chegada do milênio. O Metrô informou que não pretende lançar uma versão de despedida, mas colecionadores acreditam que exemplares não usados devem ganhar valor no mercado de memorabilia.

Calendário resumido

• Até 31/10: utilização dos bilhetes magnéticos nas catracas.
• A partir de 1º/11: acesso permitido apenas por QR Code, Bilhete Único, cartão TOP ou pagamento por aproximação.
• De 1º/11/2026 a 31/01/2027: troca de bilhetes Edmonson nas estações Paraíso e Tatuapé, das 6h às 22h.

Próximos passos da modernização

A companhia já estuda estender ao sistema de metrô a recarga automática do Bilhete Único por leitura facial, recurso em fase de testes na CPTM. Outra frente analisa a integração de carteiras digitais estrangeiras, focada em turistas que visitam a capital paulista. Embora ainda sem prazo definido, as iniciativas mantêm a linha de substituir mídias físicas por soluções baseadas em nuvem e tokens criptografados.

Com a retirada definitiva do bilhete magnético, o Metrô conclui um capítulo de 52 anos e reafirma a transição para modelos de bilhetagem orientados por dados, conectividade e métodos de pagamento instantâneo.

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