Turismo de negócios no Brasil soma R$ 11 bi e alcança recorde

O turismo de negócios no Brasil manteve a trajetória de crescimento em 2026 e fechou o período de janeiro a setembro com faturamento de R$ 11,07 bilhões, valor 7,41% superior ao apurado em igual intervalo de 2025. O resultado, compilado pela Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) e analisado pelo Ministério do Turismo, indica a retomada definitiva do país no calendário de grandes eventos internacionais e de viagens corporativas.

Serviços aéreos concentram seis em cada dez reais movimentados

No acumulado de nove meses, o segmento de serviços aéreos respondeu por quase 60% da receita total, alcançando R$ 6,64 bilhões e registrando elevação de 11% ante 2025. Essa performance reforça a dependência do turismo corporativo de malha aérea ampla e competitiva, especialmente para conectar os principais centros de negócios do país a destinos internacionais.

Hotelaria cresce 3% e soma R$ 3,27 bilhões

Os meios de hospedagem seguiram como segundo maior gerador de receita, com faturamento de R$ 3,27 bilhões entre janeiro e setembro, avanço de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. A taxa de crescimento, embora inferior à dos bilhetes aéreos, reflete a ocupação estável em capitais que concentram congressos e feiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Brasília.

Segmentos de nicho apresentam maiores variações percentuais

Entre os demais serviços monitorados pela Abracorp, destacaram-se o seguro-viagem, cuja receita avançou 71% e atingiu R$ 32 milhões, e o transfer terrestre, que somou R$ 52,5 milhões, 26% a mais na comparação anual. Embora representem valores absolutos menores, esses nichos demonstram evolução expressiva, impulsionada pela adoção de políticas corporativas de segurança e pela diversificação de modais para deslocamentos curtos.

Setembro confirma tendência de alta

Considerando apenas o mês de setembro de 2026, o setor movimentou R$ 1,31 bilhão, montante 1,74% superior ao verificado no mesmo mês de 2025. O recorte mensal mostra que o faturamento com passagens aéreas atingiu R$ 794,8 milhões, alta de 6,4%. Já o transporte rodoviário apresentou o segundo maior avanço relativo, somando R$ 6,64 milhões e crescendo 19% em bases anuais.

Geração de postos qualificados e atração de investimentos

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o desempenho indica que o “Brasil voltou ao radar dos grandes eventos globais e das feiras corporativas”. Segundo ele, “o turismo de negócios gera empregos qualificados e atrai investimentos diretos em todo o país”. A pasta avalia que o aumento de viagens corporativas amplia a demanda por mão de obra especializada em congressos, centros de convenções, montadoras de estandes e serviços de apoio logístico.

Monitoramento regular de 11 categorias

O estudo da Abracorp consolida, todos os meses, dados de 11 categorias ligadas às viagens corporativas, que incluem aéreo, hotelaria, locação de veículos, transfer, seguro-viagem, eventos, cruzeiros, entre outras. A metodologia reúne informações de agências especializadas filiadas à entidade, responsáveis por grande parte da intermediação de viagens de negócios no país.

Contexto internacional favorece mercado brasileiro

Analistas do setor atribuem o avanço de 2026 a fatores como a retomada do calendário global de feiras após o período crítico da pandemia, a realização de congressos setoriais nos polos industriais do Sudeste e do Sul, e a chegada de investidores estrangeiros motivados por oportunidades em energia renovável, agronegócio e tecnologia da informação. Esse ambiente contribuiu para o aumento das vendas de bilhetes internacionais de longa distância, que exigem maior valor desembolsado.

Perspectivas para o último trimestre

Com a aproximação de eventos de grande porte no último trimestre, a expectativa de empresas e agências é de manutenção do ritmo de crescimento. A Abracorp projeta que o faturamento total do turismo de negócios pode superar a marca de R$ 15 bilhões até dezembro, caso se confirme a demanda por feiras industriais previstas em São Paulo, Porto Alegre e Recife.

Para manter a atratividade, o governo federal avalia medidas de facilitação de vistos, expansão de rotas regionais e incentivos à modernização de centros de convenções. De acordo com Feliciano, “o crescimento consistente do segmento sinaliza que políticas voltadas à conectividade e à qualificação de serviços devem continuar no radar”.

Embora o setor ainda enfrente desafios como o custo do combustível de aviação e a oscilação cambial, o desempenho até setembro demonstra resiliência e capacidade de adaptação do mercado brasileiro de viagens corporativas. A combinação de faturamento recorde, diversificação de serviços e maior participação de nichos estratégicos reforça a relevância do turismo de negócios como alavanca da economia nacional.

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