
Com 17,8 mil participantes, 96 mil reuniões de negócios agendadas e três dias de programação intensa em Las Vegas, a IMEX America 2026 encerrou sua 15ª edição debatendo caminhos para o futuro dos encontros corporativos. A Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV) acompanhou a feira e mapeou quatro práticas que, segundo a entidade, deverão ganhar força no planejamento de congressos, feiras e convenções do segmento MICE a partir de 2027.
De acordo com a diretora executiva da ALAGEV, Luana Nogueira, o principal aprendizado obtido no evento é que “o planejamento precisa equilibrar resultados comerciais e experiência do participante”. Para ela, a meta de longo prazo será transformar tendências em soluções que mantenham o propósito original dos eventos: aproximar pessoas e gerar negócios.
Neurociência orienta desenho de experiências mais inclusivas
A aplicação de conceitos da neurociência para entender como o público reage a estímulos visuais, sonoros ou cognitivos foi um dos eixos mais discutidos na IMEX America. A proposta é avaliar desde a etapa de inscrição até o encerramento da programação aspectos ligados à atenção, à percepção e ao comportamento, criando métricas que ajudem a mensurar retorno sobre o investimento (ROI) e engajamento.
Dentro desse mesmo tópico, ganhou destaque a necessidade de tornar as atividades acessíveis a participantes neurodivergentes. As sessões trataram de adequações que vão de ajustes na iluminação e no volume do som a formatos híbridos de participação, possibilitando que pessoas com diferentes formas de processamento sensorial se sintam confortáveis e incluídas.
Saúde e bem-estar incorporados à jornada completa
A segunda tendência observada pela ALAGEV diz respeito à expansão de iniciativas de saúde e bem-estar para toda a jornada do participante, e não apenas em atividades pontuais. Alguns expositores já utilizam gamificação para estimular hábitos saudáveis, como pausas para alongamento ou caminhadas curtas entre sessões. Outros incluíram trilhas de conteúdo específicas sobre equilíbrio físico e mental nos principais palcos da feira.
A lógica, de acordo com os organizadores, é oferecer condições ideais para que o visitante mantenha energia e foco ao longo do evento, maximizando tanto o aprendizado quanto as oportunidades de networking. Espaços de meditação, menus balanceados e estações de hidratação permanente foram exemplos práticos vistos no pavilhão.
Estandes transformados em ambientes de relacionamento
Os tradicionais espaços de exposição passaram por reinvenção profunda. Destinos e marcas recorreram a hologramas, ambientes imersivos e recursos sensoriais em estandes concebidos para prolongar o tempo de permanência do visitante. A oferta de hospitalidade – que incluiu desde cafés especiais até coquetéis temáticos – complementou ativações interativas focadas em contar histórias e gerar conexões comerciais.
“Não basta atrair olhares; é preciso criar pontos de contato que favoreçam a conversa e a troca de informações”, resumiu Luana Nogueira. Para a diretora executiva, a tendência indica que os organizadores deverão investir em design de experiência como ferramenta estratégica de relacionamento.
Conexões presenciais permanecem vitais para os negócios
A quarta observação da entidade refere-se ao valor permanente dos encontros face a face. Apesar da incorporação de soluções digitais para agendamento e follow-up, 82 mil das 96 mil reuniões registradas foram individuais entre compradores e expositores, enquanto 14 mil ocorreram em formatos coletivos. No total, somaram-se 48 mil horas de conversas presenciais ao longo da feira.
Os números, segundo a ALAGEV, reforçam que a tecnologia atua como facilitadora, mas não substitui a confiança construída no contato direto. Para 2027, a expectativa é que organizadores conciliem ferramentas virtuais de matchmaking com ambientes físicos propícios a reuniões de alta qualidade.
Desafios para 2027 no radar dos organizadores
O levantamento da ALAGEV aponta que, nos próximos quatro anos, a missão será integrar as quatro frentes – neurociência e inclusão, saúde e bem-estar, estandes-experiência e encontros presenciais – em projetos financeiramente viáveis. A entidade destaca a importância de métricas claras para comprovar o impacto de cada ação, seja em geração de leads, satisfação do participante ou expansão de marca.
Nesse cenário, os profissionais do setor MICE deverão adotar indicadores que meçam não apenas o volume de negócios fechado, mas também fatores qualitativos relacionados ao envolvimento do público. Ajustes na formação de equipes multidisciplinares, capazes de combinar conhecimentos de marketing, design, psicologia e tecnologia, já começam a ser debatidos em fóruns internacionais.
Metodologia de observação da ALAGEV
Para chegar às conclusões, a equipe da associação participou de sessões educacionais, visitou estandes de destinos internacionais e dialogou com compradores corporativos durante a feira. As reuniões ocorreram entre 8 e 10 de outubro, período oficial da IMEX America 2026. Os relatos foram consolidados em relatório interno e compartilhados com o mercado brasileiro na semana seguinte ao encerramento do evento.
Embora cada uma das tendências apresente nível distinto de maturidade, a avaliação da ALAGEV é que todas já contam com casos práticos que sinalizam escalabilidade. Organizações do Brasil que planejam eventos internacionais ou nacionais de grande porte devem, portanto, considerar a adoção gradativa dessas diretrizes em seus cronogramas para os próximos ciclos.
Perspectivas da ALAGEV para o mercado latino-americano
Além de observar a dinâmica global, a associação prevê que a América Latina poderá ganhar destaque na agenda MICE ao oferecer cenários complementares aos centros tradicionais de eventos. Infraestrutura em expansão, incentivos governamentais e câmbio favorável podem posicionar destinos do continente como alternativas competitivas para organizadores internacionais.
Internamente, a ALAGEV prepara uma série de workshops para capacitar profissionais sobre os temas identificados na IMEX America. As primeiras turmas devem ser anunciadas no primeiro trimestre de 2025, com módulos específicos de design sensorial, métricas de engajamento e práticas de inclusão.
Conclusão do relatório
O conjunto de informações coletadas em Las Vegas serve como termômetro para o planejamento de eventos que acontecerão entre 2027 e 2030. Ao alinhar neurociência, bem-estar, experiências de estande e networking presencial, o setor MICE busca aprimorar a entrega de valor a patrocinadores, expositores e participantes, mantendo o papel fundamental dos encontros corporativos na geração de negócios.

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