Adutora Paiva Castro atinge 90% e mobiliza 239 trabalhadores

A instalação da adutora que integra o Sistema Paiva Castro chegou a 90% de execução, informou a Sabesp. A obra envolve 15 frentes de trabalho e 239 profissionais contratados, muitos deles residentes em Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista e Franco da Rocha. A tubulação de 25,5 quilômetros levará água da Represa Paiva Castro até a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Campo Limpo Paulista, reforçando o abastecimento dos dois municípios e reduzindo a dependência da captação no Rio Jundiaí em períodos de estiagem.

Obras concentram sete frentes em Campo Limpo e oito em Franco da Rocha

Segundo a companhia, sete equipes atuam ao longo do traçado em Campo Limpo Paulista e outras oito em Franco da Rocha. Nas duas cidades a movimentação de máquinas pesadas, caminhões e soldadores ocorre em ritmo acelerado para permitir que todo o assentamento de tubos seja concluído até dezembro deste ano. A estimativa considera metas diárias de avanço lineares e o cronograma definido em conjunto com prefeituras, concessionárias de serviços públicos e órgãos estaduais de transporte.

Capacidade de bombeamento chegará a 400 litros por segundo

Além da adutora, o projeto engloba a construção da Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB), estruturada para impulsionar até 400 L/s e superar um desnível topográfico de aproximadamente 230 m entre a represa e a ETA. Os trabalhos preparatórios da casa de bombas estão em andamento: terraplenagem, contenções e a concretagem de fundações profundas que ancorarão grupos motobomba de alta potência. Quando a elevatória entrar em operação, a transferência de vazão bruta será controlada por sistemas automatizados de telemetria, integrados ao Centro de Controle Operacional da Sabesp.

Entrega integral do sistema está prevista para o final de 2027

Conforme o planejamento corporativo, a conclusão da adutora representa apenas uma das etapas do Sistema Paiva Castro. A entrega de todo o conjunto — adutora, elevatória, melhorias na ETA e interligações de redes distribuidoras — está marcada para o fim de 2027. A Sabesp ressalta que o investimento compõe o plano de modernização de infraestrutura do saneamento paulista iniciado em abril de 2025, com foco no aumento da resiliência hídrica das bacias atendidas.

Benefício direto a mais de 200 mil moradores

Quando estiver funcionando em sua plenitude, o sistema ampliará o volume de água disponível para tratamento, oferecendo maior regularidade de distribuição a cerca de 200 000 habitantes de Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista. Em nota, o diretor regional da Sabesp, Valdemir Freitas, afirmou: “O Sistema Paiva Castro representa uma solução definitiva para problemas históricos de abastecimento e aumentará a segurança hídrica especialmente nos meses de seca”.

Geração de emprego e movimentação econômica regional

Além do impacto na oferta de água, a obra tem reflexos na economia local. Dos 239 trabalhadores mobilizados, boa parte foi contratada nas próprias cidades afetadas pelo traçado. O fluxo de contratações temporárias estimula o comércio de refeições, materiais de construção, hospedagem e transporte. Secretarias municipais de Desenvolvimento acompanham os indicadores de emprego formal gerados pelo empreendimento, mapeando setores mais beneficiados e identificando oportunidades para capacitação profissional ligada à construção pesada e à operação de sistemas de bombeamento.

Detalhes do trajeto e características da tubulação

A adutora parte da saída de captação na Represa Paiva Castro, em Franco da Rocha, cruza áreas urbanas, ferrovias e rodovias estaduais mediante travessias subterrâneas, e chega à ETA Campo Limpo Paulista. O tubo de aço possui diâmetro nominal projetado para suportar pressões acima de 25 kgf/cm². O processo de soldagem conta com exames radiográficos de junta a cada segmento, garantindo estanqueidade e longevidade do duto. Para proteção anticorrosiva, aplica-se revestimento epóxi de alta resistência interna e externa, complementado por anodos de sacrifício em trechos críticos.

Coordenação com entes públicos e licenciamento ambiental

O empreendimento obteve Licença de Instalação emitida pela CETESB condicionada a programas de mitigação de ruído, controle de erosão e resgate de fauna. Equipes ambientais fazem vistorias semanais nas frentes de obra, coletando parâmetros de qualidade da água em corpos hídricos adjacentes e monitorando a supressão de vegetação. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a concessionária da linha ferroviária auxiliaram na definição de cruzamentos sem interferir no tráfego. Em Franco da Rocha, a travessia sob a ferrovia foi executada com método não destrutivo, evitando paralisações de trem.

Adutora Paiva Castro atinge 90% e mobiliza 239 trabalhadores - Imagem do artigo original

Monitoramento do Sistema Cantareira influencia o cronograma

Parte do planejamento do Paiva Castro considera o atual estado dos reservatórios do Sistema Cantareira, fonte principal da Região Metropolitana de São Paulo. Como o Cantareira encerrou outubro com volume acima de 50%, a Sabesp destaca margem operacional para direcionar equipes e recursos à conclusão da nova estrutura sem comprometer o fornecimento corrente. O órgão regulador acompanha indicadores de segurança de barragens, cálculos de demanda futura e projeções de crescimento populacional dos municípios atendidos.

Tecnologia e automação a serviço da operação contínua

Depois de inaugurado, o sistema será integrado à rede de supervisão em tempo real da companhia. Medidores de vazão ultrassônicos, válvulas de controle remoto e sensores de pressão possibilitarão ajustes instantâneos nos volumes transportados. Eventuais variações de turbidez na água bruta coletada na represa serão detectadas antes de chegar à ETA, permitindo intervenções rápidas para manter a qualidade. A Sabesp aplicará protocolos de manutenção preditiva, baseados em inteligência artificial, para prever desgaste em bombas e tubulações, reduzindo o risco de paradas não programadas.

Próximos passos até a conclusão da adutora

Nas semanas seguintes, as equipes concluirão as juntas finais, executarão testes hidrostáticos em segmentos recém-assentados e iniciarão o enchimento controlado do duto. O processo envolverá descargas temporárias em pontos de inspeção, acompanhadas por técnicos de meio ambiente para prevenir turbações de cursos d’água. Em paralelo, continuará a montagem eletromecânica da estação elevatória e a instalação de painéis de média tensão que alimentarão os motores principais. A meta de colocar a adutora em condições de pré-operação até dezembro permanece confirmada.

Perspectivas para a segurança hídrica regional

Com a etapa física próxima do fim e a entrega global prevista para 2027, Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista caminham para um cenário de maior estabilidade de fornecimento, mesmo em situações de seca severa. O acréscimo de vazão proveniente da Represa Paiva Castro terá papel central no equilíbrio hidráulico do sistema regional, liberando margem de manobra para outras fontes e evitando rodízios de água. A Sabesp conclui que, cumprido o cronograma, o Sistema Paiva Castro passará a figurar entre as principais obras estruturantes do saneamento paulista na última década.

O acompanhamento de prazos, a fiscalização ambiental e a capacitação de operadores continuam em foco até a transferência definitiva do empreendimento para a área de produção de água da empresa, consolidando a infraestrutura que beneficiará mais de 200 mil moradores.

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