
O humorista Antonio Tabet voltou a recorrer à ironia pelas redes sociais para reagir à sequência de polêmicas em que se envolveu nos últimos dois meses. No domingo (5), o ex-integrante do Porta dos Fundos publicou uma mensagem curta para responder aos diversos pedidos de entrevistas e posicionamentos sobre temas que vão de uma disputa judicial com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à participação na preparação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o último debate eleitoral. “Eu tenho fobia social”, escreveu o humorista, revivendo uma expressão que ganhou visibilidade recente na internet.
Mensagem remete a debate sobre “fobia social” na web
A escolha das palavras não foi casual. Há poucas semanas, o influenciador digital Felca viralizou ao publicar um vídeo sobre transtorno de ansiedade social, assunto que frustrou parte dos seguidores que aguardavam denúncias ou declarações políticas às vésperas do segundo turno. Tabet, que já havia ironizado o episódio ao comentar que também sofria de “fobia social do Felca”, retomou a mesma expressão agora para satirizar a cobrança por explicações a respeito das controvérsias recentes.
Disputa na Justiça Eleitoral com Flávio Bolsonaro
O primeiro embate de maior repercussão ocorreu no fim de setembro, quando Antonio Tabet usou a expressão “família miliciana” em referência aos Bolsonaro ao comentar a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida na campanha do senador. A coligação de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a retirada do conteúdo. Em seguida, o humorista republicou uma versão alternativa mantendo o tom sarcástico e acrescentou um pedido de desculpas igualmente irônico. Em nota, limitou-se a afirmar que, ao falar em “família miliciana”, não se referia “à família miliciana”.
Em meio ao processo, Tabet passou a ser alvo de questionamentos sobre uma eventual retratação formal. Segundo pessoas próximas, o humorista preferiu concentrar a defesa na via judicial, sustentando que se tratava de manifestação humorística protegida pela liberdade de expressão. Os advogados do senador argumentam que houve ofensa à honra e associaram o post a propaganda negativa não autorizada.
Colaboração na campanha de Lula
Pouco depois, já no final de outubro, Tabet revelou ter colaborado com a equipe que preparou Lula para o debate televisionado contra Flávio Bolsonaro, então candidato à reeleição. De acordo com o humorista, a contribuição ocorreu nos bastidores, com a elaboração de roteiros de possíveis respostas a provocações. Em seu perfil, ele contou que redigiu inclusive a réplica sobre o termo “nove dedos”, referência à deficiência física do petista. “Me vi varando a noite escrevendo respostas”, descreveu Tabet. A revelação reforçou o interesse da imprensa em ouvir o humorista, que desde então passou a ser procurado para detalhar o grau de envolvimento na campanha, mas não concedeu entrevistas.
Critícas a João Vicente de Castro
O terceiro episódio que ganhou destaque foi a publicação, no início de novembro, de um comentário classificando um “nepobaby” — expressão usada para filhos de figuras famosas que se beneficiam do sobrenome — como “babaca”. Embora não tenha citado nomes, a mensagem foi interpretada nas redes como direcionada ao ator João Vicente de Castro, que havia defendido a atriz Marina Ruy Barbosa em uma discussão pública. Tabet escreveu que o alvo seria “hipócrita” e “o sujeito mais preconceituoso” que conheceu. A crítica reabriu debates sobre privilégios no meio artístico e rendeu novos pedidos de posicionamento do humorista, novamente sem respostas diretas.
Reação resumida em uma frase
Com a pressão crescente, Tabet optou por condensar sua posição em um único post, reproduzido em várias plataformas: “Muita gente me perguntando sobre polêmica, pedindo declaração, então lá vai… Eu tenho fobia social.” A frase, apesar de curta, reforça a estratégia de usar o humor para desviar das entrevistas formais e manter o controle sobre a própria narrativa. Procurado por veículos de comunicação, o ator não agendou coletivas e tampouco indicou um assessor para falar em seu nome.
Contexto da expressão e possível segunda camada de ironia
Especialistas em comunicação digital observam que, ao adotar a etiqueta “fobia social”, o comediante cria uma crítica implícita ao volume de análises psicológicas surgidas nas redes sempre que uma personalidade evita a mídia tradicional. A menção pode ser lida ainda como resposta ao conteúdo de Felca, que gerou expectativas políticas e acabou abordando saúde mental. Tabet, que costuma satirizar fenômenos de repercussão rápida na internet, reproduz o padrão ao transformar uma condição clínica real em recurso cômico, mas sem negar explicitamente qualquer das acusações ou comentários que lhe foram atribuídos.

Envolvimento com política segue como ponto de tensão
Desde a fundação do grupo Porta dos Fundos, Antonio Tabet mantém presença ativa nas discussões políticas do país, muitas vezes intercalando humor e críticas contundentes. O atrito com a família Bolsonaro já vinha de ciclos eleitorais anteriores, mas ganhou contornos jurídicos após a postagem sobre Nossa Senhora de Aparecida. Paralelamente, a confirmação de que participou na estratégia de Lula consolidou a percepção de proximidade com o atual governo, algo que o humorista não chegou a negar ou confirmar em detalhes.
Para analistas de imagem pública, a associação simultânea a um processo no TSE e a uma equipe de campanha presidencial pode explicar o aumento de pedidos de entrevistas. A própria escolha de não conceder declarações, alinhada à alegação de “fobia social”, sugere prioridade em administrar a exposição via perfis pessoais, onde controla o tom e o alcance do conteúdo.
Limite entre humor e ofensa permanece em debate
O caso reacende discussões sobre a fronteira entre liberdade artística e responsabilidade civil. Juristas ouvidos por portais de notícias lembram que decisões recentes do TSE vêm exigindo a remoção de conteúdos considerados ofensivos, mesmo quando feitos em tom humorístico, sobretudo no período eleitoral. A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que a postagem de Tabet extrapolou a crítica política. Já entidades de defesa da liberdade de expressão veem risco de censura. Até o momento, não houve nova decisão de mérito que amplie ou reverta a ordem de retirada do post original.
Perspectivas para os próximos passos
Sem agenda pública divulgada, Antonio Tabet não indicou se pretende retornar à produção de esquetes para o cinema ou televisão. Em suas redes, continuou publicando conteúdos de humor sobre temas diversos, mas evitando detalhes sobre processos judiciais ou desavenças com colegas artistas. Consultores de comunicação online afirmam que a postura é comum entre figuras que buscam reduzir o ciclo de notícias negativas, mantendo-se visíveis apenas nos próprios canais.
Com ou sem entrevistas, o nome de Antonio Tabet permanece associado a debates sobre fobia social, limites do humor e participação de celebridades em campanhas eleitorais — tópicos que seguem despertando interesse de veículos de imprensa, usuários de redes sociais e tribunais.

Faça um comentário