Lula comemora 10,6 milhões no “Exército do Lula” e mira 13 milhões às vésperas da eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou neste sábado, 24 de outubro de 2026, a marca de 10,6 milhões de integrantes em seu canal de transmissão no WhatsApp, batizado de “Exército do Lula”. A poucos dias do segundo turno, o chefe do Executivo classificou o crescimento do grupo como “um sucesso extraordinário” e afirmou que a mobilização digital terá papel decisivo na reta final da campanha.

Como surgiu o “Exército do Lula” e por que ele se tornou central na campanha

Lançado em agosto, logo após a Justiça Eleitoral liberar o uso de canais de difusão no aplicativo de mensagens, o “Exército do Lula” funciona como vitrine de conteúdos da chapa governista: agendas, vídeos curtos, peças de campanha e orientações de engajamento chegam simultaneamente a milhões de celulares. A estratégia foi idealizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), aliado de primeira hora do presidente e responsável pela comunicação digital do petista.

No início de setembro, o canal registrava pouco menos de quatro milhões de inscritos. O ritmo acelerou na primeira quinzena de outubro, quando a coordenação passou a incentivar que cada simpatizante convidasse dez contatos — movimento descrito internamente como “corrente do bem”. Só nos últimos dez dias, o exército digital ganhou cerca de 2,2 milhões de novos membros.

Lula ironiza líderes internacionais e diz que canal é “da paz”

Durante transmissão ao vivo conduzida por Janones neste sábado, Lula participou por telefone e aproveitou o momento para brincar, em tom satírico, com chefes de Estado estrangeiros. “O presidente da China, Xi Jinping, já me ligou. O da Rússia, Vladimir Putin, pediu para eu emprestar o meu exército, mas avisei que não empresto: nosso exército é da paz”, declarou. Em seguida, emendou: “O Trump está preocupado porque sabe que o nosso é melhor que o dele”.

Embora as comparações tenham aparecido como anedota, a mensagem política foi direta: Lula quer transformar o alcance eletrônico em capital eleitoral no domingo. Segundo a campanha, o público do canal se distribui por todos os Estados, com maior concentração no Sudeste (38 %) e no Nordeste (29 %).

Meta de 13 milhões: a aritmética da mobilização

Pela manhã, o presidente lançou o próximo desafio: atingir 11 milhões de inscritos ainda hoje. Horas depois, reforçou um alvo mais simbólico, 13 milhões — número que coincide com o histórico da legenda na urna. “Se você quer defender a democracia, precisamos chegar a 13 milhões no nosso exército”, enfatizou.

Nos bastidores, a coordenação de campanha avalia que cada usuário do canal consegue, em média, repassar conteúdos a cinco pessoas fora do grupo. Se o cálculo estiver correto, 13 milhões de integrantes gerariam um potencial de exposição de 65 milhões de eleitores — praticamente a totalidade do eleitorado brasileiro apto a votar neste segundo turno.

“Disparo de votos”: a mensagem para a véspera do pleito

Lula utilizou uma metáfora bélica para ilustrar a ação pretendida. “Amanhã o nosso exército vai dar um disparo: o disparo do voto, uma bala que se chama 13”, disse, em referência ao número do PT. A fala, embora figurativa, reforça a decisão de focar as 24 horas finais antes da votação em apelos diretos pela escolha do eleitor.

Especialistas em comunicação política apontam que o uso de imagens de batalha não é novidade em campanhas, mas ganha contornos mais fortes quando aliado à instantaneidade dos aplicativos. “O WhatsApp reduz a distância entre liderança e base. A metáfora da bala, nesse ambiente, vira chamada de mobilização”, avalia o professor de marketing político João Rattes, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Agenda de rua: Copacabana pela manhã, Paulista à tarde

Apesar do foco no digital, Lula manteve compromissos presenciais. Nas primeiras horas do dia, caminhou pela orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, ao lado de artistas e parlamentares aliados. De lá, viajou a São Paulo para um ato na Avenida Paulista marcado para o fim da tarde. A ideia é produzir imagens fortes para circular no “Exército do Lula” e, simultaneamente, ocupar espaços noticiosos tradicionais.

Confiança em virada e recado contra “miliciano”

Questionado sobre as projeções de institutos de pesquisa, o presidente demonstrou otimismo. “A grande lição de 2026 é que, sem o povo, não se ganham eleições. O povo quer mudança e não quer retroceder”, afirmou. Sem citar nominalmente o adversário, alfinetou: “A sociedade precisa entender que não pode eleger um miliciano”.

Os dados mais recentes do Instituto Vox Populi mostram o opositor com três pontos percentuais de vantagem, mas a campanha petista acredita que a diferença pode ser revertida com o crescimento do engajamento nas redes e a abstenção historicamente maior em redutos rivais.

Por que o WhatsApp continua decisivo na política brasileira

Desde 2018, quando se consolidou como principal meio de informação de boa parte da população, o WhatsApp é visto pelos estrategistas partidários como trincheira essencial. Embora outras plataformas, como TikTok e Instagram, tenham avançado, o aplicativo de mensagens mantém o diferencial do contato direto — quase íntimo — entre liderança e eleitor.

A Justiça Eleitoral estipula regras para evitar spam e disparos em massa automatizados, mas permite canais de difusão, desde que o usuário opte por entrar. “O formato atende à legislação e potencializa a audiência porque não há limite de integrantes”, explica a advogada eleitoral Mariana Pasqualini.

Quais os próximos passos do “Exército do Lula” após a eleição

Dentro da equipe petista, a avaliação é que o canal não será desativado no dia seguinte à votação, qualquer que seja o resultado. A tendência é convertê-lo em instrumento permanente de comunicação do Palácio do Planalto, adotando tom institucional para divulgar políticas públicas, campanhas de vacinação e atos oficiais.

Caso a reeleição seja confirmada, a transição do conteúdo — de eleitoral para governamental — deverá ocorrer de maneira gradual. Fontes ligadas à Secretaria de Comunicação Social indicam que o canal pode assumir contornos semelhantes aos usados por governos estrangeiros em plataformas como Telegram e Signal.

Peso político: comparação com canais de outros líderes globais

O número alcançado por Lula supera a base digital de diversas figuras internacionais. O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, citado na live, concentra cerca de 5 milhões de seguidores somando Telegram e Truth Social. Já o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy possui pouco mais de 1,8 milhão em seu principal canal público de mensagens. Em termos de WhatsApp, nenhuma liderança mundial divulgou até agora um grupo oficial com volume semelhante ao petista.

Análise de especialistas: impacto na governabilidade

Para a cientista política Laura Mesquita, da PUC-SP, o fenômeno amplifica o poder de agenda do presidente, mas também impõe desafios. “A mesma rede que mobiliza pode servir de canal de cobrança. Se o governo patinar em temas sensíveis, o retorno negativo será imediato”, observa.

Outro ponto citado por analistas é o risco de eventual enquadramento jurídico. Embora canais sejam permitidos, conteúdos considerados propaganda após o período eleitoral podem gerar questionamentos. A campanha afirma ter equipe jurídica dedicada a monitorar as publicações.

Consequências para a oposição e para o debate público

O crescimento do “Exército do Lula” obriga adversários a repensar estratégias. Partidos de centro e direita já testam suas próprias listas de transmissão, mas ainda estão distantes dos números petistas. Para o eleitor, o efeito imediato é a avalanche de solicitações de inscrição e mensagens encaminhadas, fenômeno que tende a se acentuar em ciclos eleitorais futuros.

Na esfera institucional, o Tribunal Superior Eleitoral acompanha o movimento com atenção. Técnicos discutem ajustes na regulamentação de canais, para evitar uso abusivo de dados pessoais. Entretanto, qualquer mudança só deverá ocorrer após o pleito.

Próximos desdobramentos: domingo decisivo

Com a votação marcada para domingo, 25 de outubro, a campanha petista concentra esforços em duas frentes: manter o ritmo de adesões ao canal e estimular que cada inscrito atue como multiplicador. Se a estratégia surtir efeito, aliados acreditam que a disputa pode virar nas últimas horas.

Independentemente do resultado, o “Exército do Lula” já se transformou em estudo de caso sobre mobilização digital em larga escala. Para estudiosos da comunicação política, o episódio sinaliza um novo patamar de engajamento que deverá influenciar campanhas municipais em 2028 e a própria dinâmica de governabilidade nos próximos anos.

Perguntas frequentes

Quantos integrantes o “Exército do Lula” possui hoje?
O canal registra 10,6 milhões de participantes, segundo dados divulgados neste sábado, 24 de outubro.

Qual é a meta de inscritos antes da votação?
A campanha pretende alcançar 11 milhões ainda hoje e 13 milhões até a manhã de domingo.

Quem administra o canal de WhatsApp?
A coordenação é do deputado André Janones, aliado de Lula e responsável pela estratégia digital.

O canal continuará ativo após as eleições?
A tendência é mantê-lo como ferramenta de comunicação do governo, caso Lula seja reeleito.

Há restrições legais para canais de difusão na campanha?
Sim. O usuário precisa aderir voluntariamente e conteúdos automatizados de disparo em massa são proibidos.

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